kar(ma)toon

Bom Karma... ou não!

sábado, dezembro 19, 2009

BLAH, BLAH, BLARGH

É muito mau sinal uma revista como a Palyboy - um clássico dos clássicos - decide começar a inventar uma nova linha editorial. A última edição da Playboy portuguesa faz capa com um homem. Exactamente. Nada de moças despidas, em poses mais ou menos provocadoras, nada de biquinis, óleos e plumas. Um homem, e ainda por cima feio. Ricardo Araújo Pereira. Se já andava farto de ter Gato Fedorento em tudo o que é sítio, então agora é que nunca mais os posso ver à frente. Se até em revistas de mulheres nuas os tipos aparecem...

Isto pode ser consequência de alguns rumores que apontam para um não tão grande sucesso da versão potuguesa da Playboy e que são consolidados pelas notícias recentes de que teria havido confusão da grossa entre redactores e direcção. Mesmo assim, fazer capa com um homem!?


Por outro lado, não sei o que será pior, RAP ou Rita Mendes, a mulher mais sobrevalorizada de Portugal e que é simplesmente... feia. Honestamente não sei quem preferia ver despido. Sei que nunca tive intenção de ver a suposta DJ e sociável dos coitadinhos sem roupa. Pois se já vestida é o que se vê... Os founding fathers da Playboy devem estar a rebolar no túmulo.







A RTP, como não podia deixar de ser, anda a esticar a corda dos seus programas de entretenimento. Depois de nos ter dado milhares de edições de um produto inenarrável chamado "Dança Comigo" - e que servia apenas para vermos as figurinhas dos famosos - decidíu inventar uma coisa chamada "Dança Comigo No Gelo" e que, como está claro, é muito pior. Podiam continuar a série com produtos como "Dança Comigo na Lama", "Dança Comigo Num Chão Barrado Com Azeite" ou "Dança Comigo No Fundo Do Mar Sem Garrafas De Oxigénio". Podiam também fazer um crossover com um programa recente da concorrência e estrear o "Dance Comigo Senhor Deputado".

Para além disso há qualquer coisa nos apresentadores da RTP que me tira do sério. É uma forma de apresentar, de dizer o texto, que carrega uma qualquer cantilena que já não se usa em televisão há umas boas décadas, e que só dinossauros como Júlio Isidros e Joaquim Agostinho insistem em utilizar. E isto tudo com o guito dos contribuintes...





Por fim, esta coisa da selecção portuguesa de futebol ter escolhido para música oficial o "I Got A Feeling" dos Black Eyed Peas... Compreende-se a escolha, a música realmente serve para o melhor e o pior por que a selecção pode passar na África do Sul. Se correr bem, respeita a máxima do "I got a feeling" que isto vai ser fixe; se correr mal, serve o "I got a feeling que vou de vela"...

Não se percebe é porque continuam a tratar mal o Cristiano Ronaldo, que por esta altura deve estar com uma tremenda azia por não ter sido ele o escolhido para a composição da música oficial.

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terça-feira, junho 16, 2009

BLAH, BLAH, BLARGH




Isto chateia-me! Tanta coisa com a gripe suína, gripe A, gripe A (H1N1); tanta polémica, tanta histeria com a porcaria da doença, que uma seca, já se sabe, e ainda ninguém percebeu que isto leva o mesmo rumo da gripe das aves que assustou meio mundo aqui há uns anos. Seremos assim tão desiquilibrados? Seremos assim tão susceptíveis e tão fáceis de assustar? Devíamos pensar seriamente na quantidade de pessoas que morreram até agora desta «nova» doença e comparar esse número com a estimativa da OMS que diz que anualmente morrem entre 250 e 500 mil infectados com gripe comum.



Por ano, cerca de 300 mil portugueses visitam Madrid. Nem todos partem de Portugal, entenda-se. Os números são responsabilidade do turismo espanhol, e para muitos são argumento suficiente para continuar a acreditar que um TGV é realmente necessário. É curioso o discurso do governo que insiste nesta aberração que é ter um comboio de alta velocidade quando já existe um comboio de velocidade em Portugal e que ainda por cima não é aproveitado no máximo da sua capacidade. Um discurso que aponta para as terríveis consequências do cancelamento do projecto e que basicamente, para o dito governo, significam perdermos o comboio da Europa (metaforicamente) e ficar para trás na modernização que outros países perseguem.
Já aqui falei deste tema, mas continua a assustar-me o custo desta obra e que ascende aos 7 mil milhões de euros. Em termos de qualidade de vida - algo que devia ser constantemente uma preocupação de qualquer governo - é interessante perceber quais os critérios tidos em conta pela Mercer (uma empresa de consultoria) quando se decide a nomear as cidades do mundo com melhor índice de desenvolvimento no seu “
Worldwide Quality of Living Survey”, e que são os seguintes:
  1. Ambiente Social e Político (estabilidade política, crime, política de segurança, etc.)

  2. Ambiente Económico (política cambial, serviços bancários, etc.)

  3. Ambiente Sócio-cultural (censura, limitações à liberdade individual, etc.)

  4. Factores médicos e sanitários (serviços, medicamentos e dispositivos médicos, doenças infecciosas, saneamento básico, colecta de lixo, poluição do ar, etc.)

  5. Escolas e educação (nível e disponibilidade de escolas internacionais, etc.)

  6. Serviços públicos e transportes (electricidade, água, transportes públicos, congestionamentos de tráfego, etc.)

  7. Entretenimento (restaurantes, teatros, cinemas, desportos e lazer, etc.)

  8. Bens de Consumo (disponibilidade de alimentos, itens de consumo diário, automóveis, etc.)

  9. Habitação (casas, equipamentos domésticos, móveis, serviços de manutenção, etc.)

  10. Factores naturais (clima, registo de desastres naturais)

Facilmente se percebe quais os critérios em que o governo português não mexe uma palha, certo? Mas o que interessa é investir 7 MIL MILHÕES DE EUROS num meio de transporte que serve unicamente três cidades, uma delas fora de Portugal, cujas viagens ficarão mais caras do que qualquer avião que faça a ligação entres os três destinos. Entretanto, não há dinheiro para a cultura em Portugal, as fases seguintes no trajecto do Porto são constantemente adiadas por falta de verbas, inúmeras vias de comunicação estão paradas, atrasadas ou canceladas pelo mesmo motivo, as falências nascem como cogumelos e o país está mergulhado na crise mundial. Confortavelmente mergulhado, diria. É esta mania de querermos parecer grandes quando na verdade somos pequeninos. Portugal parece aqueles tipos demasiado baixos que usam sapatos de tacão para ficarem uns milímetros mais crescidos. Somos parolos, pronto.




Por esta do Irão é que eu não estava à espera. Ver as manifestações populares contra o resultado das últimas eleições presidenciais, especialmente tendo em conta que o Irão é um país com uma forte tradição repressora, deixa-me intrigado e, não o posso esconder, contente. A liberdade individual encanta-me. Como sempre me apaixonei por aqueles que ao longo da história tudo fizeram para lutar por ela. Incomodam-me situações de desrespeito pelas liberdade de cada um; desde a escolha da religião, à escolha da sexualidade, passando pela escolha do que se quer ler, ouvir ou dizer. O Irão é uma das nações que mais contribuíu para a história da humanidade; é uma cultura riquíssima, elaboradíssima, impossível de mesurar. O Irão vive escondido pelos fanáticos religiosos que ocuparam politicamente o país há umas décadas, e passa, desde então, por ser um antro de maluquinhos bombistas, ultra-conservadores e que querem destruir o mundo. De tal forma que o mundo se esqueceu que os iranianos nem sequer são árabes, e que «só» são muçulmanos desde o século VII - como se ser árabe fosse sequer um problema.

É claro, já existem teorias da conspiração que dizem que é a CIA que está a provocar todo este reboliço. Ingenuidade. A CIA sempre esteve no Irão, de um lado e do outro da mesa das negociações. Ora somos amigos, ora não somos, tá bem? Sempre foi assim e sempre será, na Síria, no Líbano, no Egipto ou na Jordânia. Mas acreditar que foi a CIA - ou outro qualquer organismo do género - a convencer milhares de iranianos a arriscarem a vida e a fazerem de figurantes de uma espécie de revolução popular é demasiado. Adoro uma boa teoria da conspiração, mas daquelas que fazem algum sentido.

Pouco interessa, nesta altura, se Mahmoud Ahmadinejad viciou ou não as eleições. O que interessa é perceber que afinal o povo do Irão não está comodamente resignado a um regime político fortemente condicionado por mais uma interpretação errada do Corão e que quer retirar o poder das mãos de um energúmeno, sem qualquer tipo de visão política e social e que arrasta cada vez mais a Pérsia para um lugar na história que de todo não merece. Fica tudo completamente diferente se escrever Périsa, não fica?

Ah, e para os que ainda precisam de ser esclarecidos, deve ser relevante o facto de estarem mulheres nas manifestações que se têm sucedido em Teerão. As imagens abaixo são da CNN. Será que foram eles a organizar os protestos...!?








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segunda-feira, maio 25, 2009

BLAH, BLAH, BLARGH!




As eleições para o parlamento europeu que se aproximam são sem dúvida alguma as mais ridículas, fúteis, inúteis e feias de sempre. Mas são engraçadas também, e divertem. Um pouco como os circos de freaks: assustam e repugnam, mas entretêm.
Começando pelo partido do governo, onde desde logo temos um antigo comunista que simplesmente virou a casaca, mas que continua a vestir-se a discursar como um verdadeiro adepto de Marx. Basta olhar para o coitadinho do Vital para lhe topar o comunismo. Aquele arzinho de sindicalista está-lhe colado à epiderme como um chato aos pêlos dos testículos. É um pobrezinho, escolhido pelo partido que adoptou - e que com toda a certeza olha para ele de lado - para ser recambiado para fora do país. Algo a que Vital está habituado, já que deve ser do seu conhecimento que os camaradas lá da Rússia faziam o mesmo com todos os que não agradavam ao partido. A única diferença é que para onde estes últimos eram enviados não havia café e biscoitos em cima da mesa de reuniões.

Paulo Rangel é a anedota política da moda. O homem não só é feio e tremendamente ridículo, como tem um corpo inadaptado para qualquer tipo de vestimenta que não seja um saco de pano com um monte de tijolos lá dentro e um rio bem fundo. O merdoso não tem envergadura, estatura nem voz política. É um bidão com vozinha de menino mimado que só podia ser escolhido para qualquer coisa de importante por um partido à beira da morte como é o PSD. Um partido que tem uma líder feia como a morte, e que escolhe para segunda figura um totó ultra católico; uma espécie de aborto que fugiu à retrete e que descobriu a maravilha do livre arbítrio. Chiça! Ah, e parece-se vagamente com o Pinguim que Danny DeVito desempenhou no segundo "Batman"...



O CDS não faz mais do que já costuma fazer. Juntam-se os dois desgraçados habituais, candidato e líder, com as mesmas camisas Mike Davis, o mesmo corte de cabelo, o mesmo blazer azul com botões dourados com uma âncora e cordas e os jeans a dar ar de modernice, e vão onde? Às feiras, mercados e outros locais onde está o povo. O povo que obviamente não tem nada a ver com aquela gentinha preconceituosa, levemente arrogante, ultra-nacionalista e pouco disfarçadamente xenófoba. Beijam as velhas - alvos demasiado fáceis - e as crianças, compram meia dúzia de sardinhas para as televisões mostrarem o quanto são simples e piram-se para as suas casas à prova de gentinha. Eu sei bem o que estes dois podiam fazer com as cordas e as âncoras no mesmo sítio onde deixava o menino Rangel...

Bloco de Esquerda e PCP, de igual modo, não fazem nada de novo. No mesmo dia, mas em locais diferentes, Beja e Peniche, deram um comício-almoço pontuado pela actuação de um coro típico alentejano. Mais comunista não podia ser. Mais retrógrado, impossível. Mais cliché só se o fizessem sob a fotografia de Álvaro Cunhal. Porque são partidos diferentes, sim senhor, com públicos bem distintos, sim senhor, mas que se comportam do mesmo modo e que têm, um e outro, a mesma atitude de meninos mal comportados que passam a vida a fazer queixa ao pai, não fui eu, foi ele! Ridículo, ridículo é o peditório que a dada altura tem lugar no comício do PCP. Mais caricato ainda pelo facto da audiência contribuinte ser formada na sua larga maioria por velhos aposentados que mal têm para comer. Mas que são bastante fiéis à causa. Qual causa? Eles também não sabem, deixem lá.

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quarta-feira, outubro 22, 2008

BLAH, BLAH, BLAH: GWB




... de George W. bush, claro.
Agora que o dia finalmente se aproxima em que o mundo se vai ver livre deste cowboy ignóbil, tornam-se particularmente interessantes os acontecimentos que, de uma maneira ou de outra, se relacionam com Bush filho. Para começar, a polémica criada em torno da declaração de Collin Powell, que afirmou em entrevista ser apoiante da candidatura de Barak Obama - facto que o seu filho já havia publicamente assumido. Pois bem, só mesmo os distraidos é que podem ver nesta viragem à esquerda do general Powell algo de inesperado. O homem foi secretário da defesa de Bush, é certo. Mas a verdade é que sempre demonstrou uma rectidão e uma dignididade impróprias do governo republicano vigente. De tal forma que acabou mesmo por se retirar do cargo que ocupava, revoltado e envergonhado com a situação do Iraque. Powell, que nunca foi um político à séria - o que, nos dias que correm, é cada vez mais um defeito -, deve ter tido a melhor das intenções, quando aceitou o convite para fazer parte de um executivo como o de Bush. O rumo dos acontecimentos é que acabou por o atropelar sem dó nem piedade. A ele e ao mundo inteiro, diga-se. A escolha de Powell para as eleições que se avizinham, reflecte exactamente a rectidão e a dignidade com que sempre pautou as suas acções. Podia estar enganado, e pode mesmo ter cometido erros graves, mas lá que é um bom homem, disso não tenham dúvidas.

Por estes dias já ninguém parece ter dúvidas de quem vai ocupar a cadeira deixada vaga por George W. Com as sondagens cada vez mais favoráveis a Obama, e com o já aguardado fim do efeito Sarah Pallin - a mulher afunda-se cada vez mais no ridículo que é a sua personalidade, e no descabimento da sua candidatura -, é quase uma certeza que o homem que os republicanos se têm esforçado por apelidar de terrorista e outras coisas piores, vai mesmo liderar os desígnios da nação mais poderosa do mundo. E bem o merece. Obama fez uma campanha anormalmente limpa; centrou as suas atenções nos problemas reais da América, tratou de antecipar uma aproximação amigável aos líderes dos países mais fortes da Europa, e esquivou-se à quase inevitável guerra suja em que estas coisas se costumam tornar. Ao contrário dos rivais republicanos, a candidatura democrata não optou pela busca de segredos sensacionalistas, factos da vida de McCain que o pudessem denegrir de alguma forma, ou mesmo pequenas curiosidades que o pudessem ridicularizar. Obama, ao contrário do que já toda a gente estava à espera - e para muita pena dos meios de comunicação -, foi um respeitador e honroso competidor. Até porque já sabia que o seu concorrente, herói de guerra reconhecido e uma figura no seu todo afável e simpática, gozava de alguma popularidade mesmo junto de alguns sectores democratas. Como já aqui referi, McCain é um republicano muito mais à esquerda do que aquilo a que os republicanos estão habituados. A prová-lo, está o facto de John Kerry ter pensado nele para seu vice-presidente, nas presidenciais que perdeu para Bush. Obama vai ganhar estas eleições. Porque todo o mundo o quer. Obama, se não nos enganar monstruosamente, vai-se tornar numa figura incontornável da história do século XXI. Tem o perfil indicado para isso. McCain, por sua vez, não vai ser o grande derrotado destas eleições. O seu partido sim, será o gigante arrogante e desleixado que, por não ter atempadamente apertado os cordões dos sapatos, vai cair por uma longa e profunda escada abaixo.

Nem a propósito, eis que temos o louco Oliver Stone a estrear a sua visão (sempre muito pessoal) de George Bush. Stone, realizador amado e odiado - muitas vezes pelas mesmas pessoas -, é e será sempre um outsider a viver à custa da mama de Hollywood. Faz mais ou menos o que lhe dá na gana, choca, ou faz sempre por mexer com o espectador, e é um hábil autor de um cinema a meias experimental e comercial. Não se espere de "W", o biopic deste presidente que agora se retira, algo de muito realista ou sequer preocupado com a verdade dos factos - Stone sempre foi um acalorado panfletário. Não se espere que seja um filme convencional, banal, normal ou sequer correcto na sua aproximação biográfica - Stone sempre se esteve nas tintas para os produtores, crítica, público e todos mais os que orbitam à volta da indústria cinematográfica. Pode-se esperar, isso sim, uma obra feita a pensar mais nos europeus do que nos compatriotas americanos; feita para agradar os que desprezam George W. Bush (realizador incluido), e para dar uma valente alfinetada nos que ainda insistem em o defender. Seja como for, Oliver Stone já conseguiu o que queria: realizar um filme em tempo recorde de maneira a poder estreá-lo mesmo em cima de uma fase na vida dos americanos que pode bem ficar para a sua história como A Fase da radical mudança. Ou talvez não...

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quinta-feira, outubro 02, 2008

BLAH, BLAH, BLAH...

O grupo parlamentar do PS decidiu, em reunião, aplicar a disciplina de voto no caso das propostas de lei que defendem o casamento entre homossexuais, e cuja discussão em assembleia, está para muito breve. Ou seja, o PS vai votar contra essas propostas de lei, mesmo que alguns dos seus deputados sejam a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Sabendo nós que o PP é o nosso representante político da idade média, que o PSD é cada vez mais um partido velho e retrógrado, e que já ninguém sabe muito bem o que esperar do PCP, facilmente se conclui que apenas o Bloco de Esquerda e o Partido Ecologista Os Verdes vão votar claramente a favor das ditas propostas - de que ambos foram, aliás, responsáveis.
O líder parlamentar do PS defendeu a decisão com a "falta de oportunidade", o que é o mesmo que não dizer absolutamente nadinha. E por isso mesmo gostava de saber a resposta a esta pergunta: qual a verdadeira razão para tantos politicos recusarem terminantemente esta lei?



Fiquei a saber, pela voz de um especialista em economia mundial, que, do dinheiro depositado por nós nos bancos, 92% andam a pairar por esse mundo fora, investidos das mais diversas formas e feitios. Isto porque a lei obriga a que apenas os restantes 8% sejam mantidos nos cofres das instituições bancárias. Ora bem, tendo em conta a actual crise bancária ... seria melhor começarmos a fazer contas.



Uma recente sondagem nos EUA resultou em que mais de 40% dos inquiridos considerasse Sarah Palin, a candidata à vice-presidência republicana, incompetente para ocupar o cargo. Tendo em conta apenas o simples facto da infeliz nem nunca ter saído do país - a mulher nem sequer tem passaporte -, fácil é concluir que os restantes inquiridos costumam vestir-se com lençóis brancos e queimar cruzes à frente das casas de afro-americanos...







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segunda-feira, setembro 15, 2008

BLAH, BLAH, BLAH...


Honestamente não acredito que possa ser Manuela Ferreira Leite a
alternativa de governo a Sócrates. E nem sequer acredito que a mulher leve de vencido o actual primeiro-ministro. A senhora não tem força – pese embora insista naquele ar austero e levemente rude – nem imagem políticas para ocupar um qualquer cargo de relevância. É feia, tem um penteado levemente parecido com uma peruca por pentear e veste-se tal e qual como a Margaret Thatcher nos idos anos oitenta. Ferreira Leite é uma política do antigamente, empoeirada, cinzenta, ortodoxa – antiquada, até – e que me parece sinceramente não ter argumentos para conquistar o eleitorado. Olho para ela e parece-me uma figura saída directamente dos tempos rígidos da URSS.



Não melhor, mas por outras razões, é precisamente o antigo líder do PSD, Luís Filipe Menezes, que continua apostado em ficar para a história política do país como coitadinho, perseguido, traído, incompreendido e que demonstra, sempre que abre aquela boca desgraçada, que claramente não foi feito para o mundo em que se meteu.

Quando abandonou o cargo para o qual foi eleito, e depois de ter por diversas vezes feito queixinha daqueles que, dentro do próprio partido, teimavam em atacá-lo, afirmou peremptoriamente que continuaria a ajudar o PSD sem cair no erro dos seus detractores, ou seja, ninguém o ouviria a atacar a nova liderança laranja. Pois bem, o homem não se cansa de fazer outra coisa que não criticar Ferreira Leite e outros nomes maiores do PSD, demonstrando, cada vez com mais veemência, que é um menino chorão, habituado a fazer birrinhas, e que é capaz de prender a respiração até ficar azul, para conseguir o chupa-chupa que o paizinho não lhe deu.



Nos antípodas de todo este lixo está um senhor, chamado José Mário Branco, e que do alto de toda a sua legitimidade social e política, mostrou, numa entrevista ao Rádio Clube, ontem de manhã, a verdadeira dimensão da sua desilusão. Desilusão com os políticos e governantes portugueses e também com os partidos, nomeadamente com os de esquerda, PCP e Bloco de Esquerda – que ajudou a fundar. Mário Branco contou alguns episódios interessantes do PCP no pré-25 de Abril, especialmente um quem me deixou boquiaberto, e que deu a saber que o PCP, por alturas da guerra colonial, incentivou os seus jovens membros a irem para a frente de batalha de maneira a poderem espalhar a palavra revolucionária comunista. A ideia, insana e aproveitadora, contribuiu para que, entre desertores, refractários e jovens fugidos à inspecção militar, só em França fossem oitenta mil, os exilados portugueses. Desapontado com uma certa burguesia anafadamente instalada nos mais altos organismos dos partidos com que mais se identificava, José Mário Branco virou costas à política. Certo dia, mais concretamente no último comício do Bloco em que participou, afirmou “nunca deixei nenhum partido. Os partidos é que me deixaram a mim”. Quer-me parecer que os políticos portugueses ainda não perceberam que o mesmo se está a passar com a maior parte do povo que deviam servir e representar.


Entretanto, cientistas no CERN realizaram aquela que já foi considerada como a maios experiência científica da história, ao simularem um micro Big Bang no maior acelerador de partículas do mundo. Ao mesmo tempo bateram dois recordes mundiais: foi a maior concentração de geeks da história da humanidade, e o maior número de «homens que já não vêem uma mulher nua há mais de dez anos» de sempre.

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domingo, setembro 07, 2008

BLAH, BLAH, BLAH...



Não me perguntem porquê mas tive a oportunidade de ver o novo programa da Luciana Abreu na SIC, "Lucy", e gostava aqui de desabafar acerca disso mesmo. Estava a tomar o meu último café na Zambujeira, e a televisão do estabelecimento estava precisamente a transmitir, sabe-se lá porquê, a nova aberração do canal de Carnaxide. E a coisa explica-se muito facilmente. Portanto, temos a antiga Floribela, agora com mais silicone e supostamente ainda mais sexy, de cabeleira preta, vestida como se tivesse acabadinha de sair de um mau filme de blaxploitation - ou, se preferirem, disfarçada de puta de Las Vegas - à frente de um programa matinal para os mais pequeninos. Eu disse programa? Ora bem, aquilo não é bem só um programa, mas uma elaboradíssima sucessão de entertenimento, passatempo e curiosidades científicas para a mais pequenada. Ainda pensei que tanta animação pudesse ser refreada com a transmissão, pelo meio, de alguns desenhos animados - uma coisa obviamente mais antiquada e tal -, mas não! "Lucy" foi desenhado para servir, não o público alvo que julgaríamos, mas sim a sua protagonista. Ou melhor, para dar espaço à aparentemente infindável vaidade de Luciana Abreu. Quando muito, o programa poderá agradar, isso sim, aos paizinhos dos pivetes, já que o one woman show de Luciana é feito em mini saias e decotes nada infantis. Estava eu já convencido da pobreza de tudo aquilo, e pronto para sair do café onde estava, quando uma supresa ainda maior me atingiu como uma pisadela de um dos altíssimos tacões da anfitriã Abreu: intercaladas com as actividades do programa, são-nos oferecidas verdadeiras sessões de karaoke deluxe com direito a elaboradíssimas coreografias por parte de um corpo de bailarinos e tudo. Ou seja, Luciana Abreu a fingir que canta enquanto se bamboleia, e um punhado de moços e moças a fazerem os mesmo passos que aprendem nas piores aulas de qualquer ginásio parolo da modinha. Tudo isto, claro, ao som do Top Ten da Rádio Cidade.
Honestamente, tenho cá para comigo a seguinte teoria: era impossível à SIC não aproveitar todo o sucesso granjeado pela pequena tripeirinha; todo o hype em torno da sua vida pessoal, dos seus namorados, das suas mamas novas, das suas férias, enfim, de tudo o que acontecia à sua volta. O único problema, e que aparentemente já era demasiado tarde para contrariar, é que Luciana Abreu esteve demasiado tempo longe da televisão, e que essa mesma vida pessoal a afastou de uma vez por todas do pequeno público que a elegeu rainha da miudagem.
Não sei quanto tempo vai a SIC aguentar um programa tão mau no ar; o que sei, é que assim que este lixo televisivo vestido de lantejoulas acabar, termina também a fugaz cafreira de uma moça que até tinha qualidades para se safar no caótico regulamento da televisão portuguesa.

O Red Bull Air Race voltou ao rio Douro: as hostes animaram-se, a malta veio de todo o lado deste Portugal, fecharam-se ruas, condicionou-se trânsito, gastou-se dinheiro e deu-se dinheiro a ganhar aos pequenos comerciantes. De tanto reboliço, acho que só mesmo este último factor representa realmente algo de positivo. É que o estado dá dinheiro para esta competição, ambas as autarquias interessadas na corrida contribuem também com cerca de 500 mil euros e, no entanto, o ano passado, a organização da corrida dos Fórmula Um do ar acusou um prejuízo de 630 mil euros. Ainda assim, o público que acorre às margens do Douro encolhe os ombros, diz "não é nada comigo", e vem ao Norte para passar um fim-de-semana do caraças. E faz muito bem.

Entretanto, e para não dar descanso aos tripeiros, vai-se realizar também no Porto o primeiro rodeio da Invicta. Apetecia-me começar já a insultar toda a gente envolvida nesta demonstração idiota e, pelo caminho, reduzir a energúmenos todos os que vão assistir a um espectáculo insultuoso para a vida animal. Nem me vou cansar. Não vale a pena. Continuamos a demonstrar uma gritante falta de sensibilidade ecológica e de ignorância dos direitos dos animais. Somos estúpidos, é o que somos. E como estúpidos que somos, vamos deliciar a nossa estupidez a comer rodízio enquato assistimos alegremente a um animal aos saltos com uma besta às costas. Provavelmente não nos questionamos porque razão salta ele afinal... Mas vai mais uma maminha com farofa.

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sábado, setembro 06, 2008

(MUITO) BLAH, BLAH, BLAH

Ouvi o discurso de Barak Obama - o tão aguardado discurso - na convenção democrata em que aceitou/assumiu a candidatura à presidência dos EUA. Ouvi o discurso e admito que o ouvi entusiasmado. Embora tudo aquilo seja pensado, preparado e ensaiado como se de uma produção de Hollywood se tratasse, a verdade é que já não me lembrava de um politico, muito menos um candidato a presidente da América, apresentar uma tão impressionante declaração de intenções.

A verdade é esta: fosse quem fosse o candidato democrata à Casa Branca, só a vitória nas eleições de Novembro interessariam a... todo o mundo; mais quatro anos de Republicanos seria o pior pesadelo possível. O problema é que para Obama conseguir lutar por tudo o que tem vindo a prometer, terá de defrontar cara a cara os principais lobbys da mais poderoso país do mundo, que, só por coincidência, são os mais poderosos lobbys do mundo: indústria farmacêutica, indústria do armamento, indústria petrolífera, lobby judeu e estes só para citar os maiores. Na América - como em todo o mundo, julgo - tudo é medido em lobbys; para além dos citados, temos o lobby feminista, o lobby gay, o lobby negro, o lobby de Hollywood e uma miríade de lobbys das mais diversas religiões. Entrar em conflito com este poder de modo a fazer da América um país melhor é coisa para provocar o mais violento suicídio politico da história. Se Obama vai ter a coragem e paciência necessárias para a tarefa, isso é algo por que toda a gente interessada ou simplesmente curiosa vai aguardar ansiosamente.

Com tudo isto em cima dos ombros, a constante comparação com JFK é fácil e inevitável. Na história dos EUA raramente um presidente, congressista ou senador terá tido a coragem de afrontar os interesses que por detrás do cenário mais bonito controlam verdadeiramente os designios do país. Toda a gente sabe qual foi o triste resultado dessa coragem, mas a verdade é que os tempos já não são os mesmos, e enquanto Kennedy era importante para mudar a América a partir do seu interior, Obama é vital para que a nação não só recupere do desastre económico que a governação Bush representou - destruindo o incrível trabalho de Clinton -, mas também para tentar eliminar todas aquelas características tão tipicamente americanas e que todos adoramos odiar. Será essa a única maneira de os EUA fazerem as pazes com (quase todo) o mundo.


John McCain...
Bem, na verdade não há assim tanto para falar do candidato republicano. Prisioneiro de guerra e consequentemente um glorificado herói de guerra como só o cinema nos tem apresentado, o veterano (idoso?) McCain é um republicano moderado. Não é contra os direitos dos homossexuais, não é contra o aborto e defende o ambiente e a imigração de uma forma algo distinta daquela a que o seu partido está habituado. No fundo é um tipo simpático. A escolha de Sarah Palin para sua vice-presidente é, por isso mesmo, um desesperado golpe publicitário; a derradeira tentativa do partido republicano atrair o eleitorado feminino que ainda não perdoou a Obama a derrota de Hilary Clinton, e sossegar os republicanos da ala dura, pouco satisfeitos com as tomadas de posição do seu candidato.

Sarah Palin, governadora do Alaska, é a personificação do conceito "o diabo veste Prada" mas não do ponto de vista sexual da coisa. É defensora da utilização do poderio bélico dos EUA na manutenção da sua supremacia no mundo, militante da famosa National Rifle Association, católica radical que pretende que a abstinência seja matéria obrigatória nas aulas de educação sexual, é completamente contra o casamento gay e o aborto e totalamente favorável à abertura da reserva natural do Alaska à exploração petrolífera. Ou seja, é demoníaca, a mulher, e representa orgulhosamente tudo aquilo que adoramos odiar. Ao escolhê-la, os republicanos surpreenderam toda a gente inclusive McCain, e com a exacta noção do risco que correm. O partido sabe bem que Palin pode ser um tremendo tiro no pé, e mais um argumento que pode conduzir a próxima eleição para os lados de Obama, mas a decisão, como todas em torno desta campanha, foi bem pensada, preparada e ensaiada.

Pessoalmente não consigo imaginar a derrota de Obama. Não quero acreditar que o frágil e altamente influenciável eleitorado americano esteja disposto a mais quatro anos de polémica, de má governação; mais quatro anos envolvido numa guerra que, é nítido, nunca conseguirão ganhar - seja lá o que "ganhar" represente realmente. No entanto, também ainda não me consigo convencer que é desta que um negro vai ocupar a sala oval da Casa Branca. Parece-me algo demasiado distante e difícil de alcançar numa nação ainda hoje tão preconceituosa e pouco dada a mudanças de atitude reflectidas por uma profunda mudança de mentalidade. "Orgulhosamente sós", defenderão os retrógados republicanos, que nunca admitirão que o erro é e será sempre americano. Da mentalidade americana. Neste panorama, o exemplo da self made woman que é Palin, serve como uma luva os interesses dos mais radicais. A senhora é também a personificação do american dream, mas do american dream à republicana, ou seja, que aterroriza todos aqueles que não são republicanos. Subíu na carreira a pulso depois de ter sido um caso de sucesso na vida académica, é mãe de cinco filhos - um deles recentemente enviado para o Iraque e outro, ainda bebé, que sofre de síndrome de Down - e tem fama de ser uma mulher de força, que luta sempre pelo que pretende e que raramente falha os seus objectivos. Esta é a força de que McCain, fragilizado pelo seu lado mais moderado, necessita para se conciliar com os eleitores dos estados mais conservadores e que precisam de continuar a sentir a força bruta dos EUA para estarem em segurança.
Obama contrasta violentamente com estes conceitos. É inexperiente, e frequentemente acusado de não ser mais do que um sonhador. No fundo, ainda há poucos que acreditem a 100% na sua capacidade de levar por diante todas as propostas que tem apresentado- Pessoalmente, quero acreditar que já é tempo de um politico se chegar à frente e fazer alguma coisa de realmente importante a partir precisamente do ponto de vista de um sonhador. Quero acreditar que o mundo está finalmente preparado para alguém assim. Ou acham que Obama escolheu o dia do aniversário do famoso discurso de Martin Luther King, "I Have a Dream", sem querer?

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quarta-feira, agosto 13, 2008

BLAH, BLAH, BLARGH!


A cerimónia de abertura das olimpíadas em Pequim, da responsabilidade do realizador Zhang Yimou, foi vista por uns impressionantes 15% da população mundial, o que lhe concede de imediato o espectáculo mais visto de sempre na história da humanidade. Para além disso, deve ter sido o melhor espectáculo que já vi. E nem me vou dar ao trabalho de o tentar descrever ou sequer adjectivar, foi uma daquelas coisas únicas e que é obrigatório ver para compreender tudo o que representa.
No entanto, na melhor seda chinesa cai a nódoa de Chop Soi de porco, e começam agora a surgir revelações interessantes que mostram que alguns detalhes desta cerimónia poderão ter sido... «trabalhados». As fantásticas sequências aéreas do fogo-de-artifício em vários pontos da cidade de Pequim são falsas; segundo fontes oficiais (sempre quis dizer isto), as imagens terão sido criadas digitalmente, e com a intenção de embelezar a transmissão televisiva.
Para além disso, a mocita que a dada altura encantou o povo com o seu trinado (Lin Miaoke) afinal só lá estava porque a verdadeira proprietária da voz (Yang Peiyi) não tinha cara para aparecer na televisão. Assim, em vez do governo chinês matar toda a sua família e perder mais uns meses à procura de outra cantora infantil em orfanatos e refúgios, optou pela solução do marketing e foi à procura de uma carinha laroca para condizer com a angelical vozinha. Sinceramente não percebo a polémica; em décadas de cerimónias do género, inúmeros foram os cantores, mais ou menos famosos, em pleno exercício de karaoke. Esta, pelo menos, fez um playback bastante profissional, e soube desfilar uma panóplia de expressões fofinhas e queriduchas, tão ao gosto dos camaradas chineses.

E depois temos Michael Phelps. Ainda não alcançou o objectivo com que chegou a Pequim - ou seja, bater o mítico recorde de Mark Spitz, que em 1972, em Munique, conquistou sete medalhas de ouro - mas a verdade é que não só já se tornou no atleta mais medalhado da história dos jogos olímpicos (11 medalhas de ouro e 2 de prata) como se arrisca severamente a ultrapassar a marca de 33 recordes mundiais, também pertença de Spitz. Até agora Phelps já bateu recordes mundiais por trinta vezes, e é o actual detentor da melhor marca mundial em seis eventos - 100 metros livres e mariposa, 200 e 400 metros estilos, e as estafetas de 100 e 200 metros. Destas seis marcas, cinco foram conseguidas nestes jogos olímpicos, o que diz muito da vontade que o jovem americano tem de colocar o seu nome na história da natação. Como se fosse realmente preciso fazer ainda mais...

Entretanto, e para cúmulo da ironia, uma das finais de tiro com pistola destes jogos, foi disputada entre uma atleta da Georgia e uma da Rússia. Felizmente as senhoras eram civilizadas - coisa que os seus respectivos governos não são - e em vez de se esquecerem dos alvos e desatarem à chumbada uma à outra, abraçaram-se e mostraram que a política ainda pode (e deve) ficar afastada do desporto. E da maior parte das coisas da vida social, já agora.
Uma coisa que fica deste estúpido e ridículo conflito no Cáucaso, para lá de toda a falta de sentido e necessidade que o envolvem, é a impressionante rapidez com que duas nações erguem exércitos já preparadíssimos para uma guerra. Em poucas horas tanques, aviões, navios, mísseis e soldados estavam totalmente instalados e prontos a disparar. Assustador.

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terça-feira, julho 22, 2008

BLAH, BLAH, BLARGH!

- O engenheiro Sócrates que andou numa mini tournée por dois dos melhores ditadores africanos da actualidade – José Eduardo dos Santos e Mouammar Kadhafi – é o mesmo engenheiro Sócrates que recusou receber o Dalai Lama com um “desculpe lá mas veio em má hora”. É compreensível. As sequelas de se recusar um encontro com homens do calibre do angolano e do líbio podem ser severas. O fornecimento de petróleo ameaçado, o bloqueio ao envio de técnicos de construção civil / jogadores da bola para as grandes obras planeadas pelo actual executivo e a perda da reserva no Spa do hotel Meridien em Luanda seriam algumas das contrapartidas negativas de uma decisão dessas.
Já quanto ao animado Kadhafi a coisa podia mesmo ser mais séria, embora simples. Um pequeno engenho explosivo no bolso de um vendedor de tapetes à porta do escritório do nosso primeiro e o assunto ficava resolvido num tirinho.Sinceramente, que risco há em mandar o Dalai às urtigas? O que é que ele pode fazer? Chatear-nos até à morte com umas rezas e umas cantilenas? Obrigar-nos a comer francesinhas vegetarianas? Dar-nos a beber o tão famoso chá de manteiga de Iaque, tão típico daquelas paragens tibetanas?

- Assumindo desde já ser um perfeito leigo no que ao código penal diz respeito, gostava tremendamente que me esclarecessem uma dúvida.Há um processo que demora mais de quatro anos a ser resolvido, que gasta aos cofres do estado uns valente milhares de euros, que envolve mais de duas dezenas de arguidos e que tem o seguinte desfecho: prova-se a culpa da maior parte dos acusados mas estes não vão presos. Chama-se pena suspensa e deve ser a maior invenção da história da lei.E eu pergunto: se os arguidos não tivessem fortes ligações à politica local e nacional, ligações à gestão de empresas com algum peso, como a Metro do Porto, ligações bastante promíscuas com dirigentes desportivos e consequentemente com magistrados, outros políticos e outros empresários locais e nacionais, e finalmente, se não se chamassem Major, será que a pena também seria suspensa?

- O vereador da CDU da câmara do Porto disse que “Rui Rio devia demolir o Bairro do Aleixo mas sem desalojar os moradores”. Ora, já não me lembro de concordar com um político desde que o Durão Barroso decidiu abandonar o cargo de Primeiro-Ministro. Concordo e ainda sugiro: deviam fazê-lo na noite de 24 de Dezembro. Dessa forma garantiam que toda a gente estava nas suas casas no momento da derrocada e resolviam dois problemas de uma assentada.



- O presidente da Câmara de Loures disse à imprensa que das famílias ciganas que se plantaram no jardim da autarquia, somente três têm a renda em dia, e que practicamente nenhuma tem as contas de água regularizadas, o que me leva a crer que foram os gajos da SMAS que vandalizaram os seus apartamentos. Espanta-me é que os proprietários dos tais apartamentos não se queixem do desaparecimento de droga e das falsificações Dolce & Gabbana e afins que estavam guardadas nos armários da cozinha.

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segunda-feira, julho 07, 2008

BLAH, BLAH, BLA(RG)H...


- Notícia absoluta da semana passada: Alberto João Jardim foi de visita à Venezuela! E este blog que já por várias vezes fez a comparação entre os dois dit... governantes, só ficou triste por saber que os dois rechonchudos mais histéricos da história da política mundial não tiveram a oportunidade de se encontrarem. Tinham tanta coisa para falar. Como controlar orgãos de comunicação, como ganhar dinheiro à custa de infinitas obras públicas, manobras várias com fim à conquista de mais um mandato, enfim, assunto não faltaria. Mas não se encontraram. Provavelmente, e porque têm tantas semelhanças, porque fizeram um intercâmbio governamental ao estilo do couchsurfing, estando Chávez, nessa mesma altura, a comer bananas no Funchal! Será?

- Quando pensamos que nada poderá ultrapassar em foleirice o programa "Chuva de Estrelas" que a SIC transmitiu há dias, comemorando os dez anos dessa verdadeira instituição de entertenimento - e que deu ao mundo o João Pedro Pais - utilizando para o efeito os pindéricos que trabalham na estação de Carnaxide, e eis se não quando, a RTP resolve fazer melhor e queimar dinheiro dos contribuintes na transmissão do "Barrigas de Amor". E o que foi o "Barrigas de Amor"? Simples. Uma convenção de grávidas, gordas e de pés inchados, com sorrisos idiotas até à exaustão, parolas como todas as mulheres são quando engravidam, a passearem-se por um parque em Lisboa - que não cheguei a perceber qual por não me ter dado tempo para isso - e a fazer todo o tipo de exercícios para grávidas, a verem todo o tipo de produtos para grávidas e um não sei mais o quê que só a s grávidas fazem. Isto tudo enquadrado por entrevistas a mulheres famosas que já foram grávidas - e às que nunca foram também - e que por estarem a falar do assunto (interessantíssimo) se transformam em parolas tal e qual como as que estão realmente de esperanças, com os pés inchados e o sorriso idiota. Já se sabe que a televisão pública é, como sempre foi, perita em torrar o nosso guito, mas isto é exagero. Entretanto, e como não podia deixar de ser, já há muito maluquinho dos movimentos pró vida a gritar ao mundo que isto foi muito bonito e que devia acontecer mais vezes! Se a ideia era realmente fazer um acontecimento pelo direito à vida disfarçado de concentração de panças, então não quero imaginar o que fariam os defensores do aborto para dar a equivalente resposta...

- Olhamos para o(s) orçamento(s) dessa magnífica obra que é o tão aguardado TGV e é impossível não nos questionarmos: haverá assim tanta gente com vontade/necessidade de fazer a viagem Porto-Lisboa em uma hora e aos preços que essa mesma viagem vai custar? Mais, haverá assim tanta gente com vontade/necessidade de se deslocar de Lisboa a Madrid? Mais ainda, ninguém percebeu que o Alfa Pendular que faz a viagem de Porto para Lisboa é um comboio espectacular, confortável e que ainda está sub-aproveitado? É que era suposto o bicho levar-nos à capital em duas horas! Se não o faz é porque o mesmo governo que quer investir uma soma muito próxima da dívida externa do Burundi não gastou dinheiro na construção de uma linha adequada ao efeito. Portugal parece aquele gajo que não tem onde cair morto mas que faz o impossível para comprar um ecrã de plasma de 700€ para mostrar aos amigos e que descobre, tarde de mais, que tem de pôr a filha a dormir na sala porque o maldito aparelhómetro não cabe na sala de estar mas sim no quarto da pirralha.

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sexta-feira, junho 27, 2008

BLAH, BLAH, BLAH...

- O S. João definitivamente já não é o que era. Longe vão os tempos das festas entre amigos, dos balões incendiários lançados do jardim, do fogo de artifício de trazer por casa lançado em frente e não para cima, dos cães que fugiam com medo e só apareciam no dia seguinte, e das sessões de nostalgias musicais. Agora a coisa faz-se apenas de improviso e a promessa de nem sequer sair de casa é violada mesmo à última da hora e ainda assim sem muita vontade. Este ano foi ainda mais assim, e deitei pés às ruas do Porto já perto das duas da matina. Muitas ambulâncias (demasiadas), pequenos concertos em cada esquina, um certo ar chique em algumas portas de prédios que apresentavam as suas proprias festinhas (nada) privadas e o encontro com amigos na tão tradicionalista Massarelos. Foi divertido, sem dúvida, e depois do jantar monstruosamente recheado, o encontro serviu para dar um pouco o cheirinho do S. João de antigamente. Mesmo assim, a paciência começa a rarear. Para o ano, certo que estou de que nada vai mudar e que a festa não poderá ser diferente da que foi este ano, juro que fico em casa.

- Esta semana tive a oportunidade de ver dois dos filmes que concorriam para o Oscar de melhor filme do ano. E ainda bem que assim foi. "Juno" é absolutamente delicioso. Vestindo a pele de alien de serviço - coisa que vem sendo cada vez mais habitual nestas coisas dos oscarizáveis -, o filme sobre uma adolescente grávida e de como as coisas ao seu redor se vão desenvolvendo é absolutamente genial, carregadinho de diálogos delirantes, hilariantes e intelegentíssimos. Os actores são de uma nobreza inacreditável, ao mesmo tempo que mantêm uma naturalidade anormal nestas coisas de.. se ser actor! Tudo é bom em "Juno", tudo mesmo, e nem tenho bem a certeza se não terei gostado ainda mais deste do que de "Little Miss Sunshine", o «caído do céu» da edição anterior dos Oscars.
Por outro lado, ou melhor, por outros motivos, também "Michael Clayton" é absolutamente delicioso. Porque é filmado de uma forma belíssima. Porque o argumento é apresentado de forma a prender o espectador do início ao fim mesmo sem surpreender grandemente, mesmo mostrando sempre tudo, sem grandes segredos, sem grandes mistérios. Porque tem uma dupla de actores (George Clooney e Tom Wilkinson) em absoluto estado de graça e porque também tem diálogos fascinantes e brilhantemente escritos.
Voltarei a dar destaque a estes dois filmes um dia destes. Merecem-no.

- Sempre fui criterioso em relação às causas em que de uma forma ou de outra me envolvi. Assinar petições sempre me pareceu importante mas dependendo do assunto em questão. Por exemplo, apesar da gravidade da situação, parece-me absolutamente inútil assinar petições que alertem para o problema do Zimbabué. Espero não estar enganado, mas a questão do governo de Mugabe e de todos os desrespeitos aos direitos humanos vividos pelos habitantes daquele país africano não me parece ter solução à vista. Se ninguém se passar definitivamente e resolver intervir com força bruta, o problema vai-se manter pelo menos por mais um mandato sem que nenhum de nós possa fazer seja o que for. Nem com todas as petições, manifestações e greves de fome do mundo. Gostava no entanto que algum dia o povo cá do burgo tivesse finalmente a coragem de decidir avançar com uma total greve de consumo. Consumo de tudo. Combustíveis, bens alimentares, roupa, bilhetes para o cinema, internet, o cafezinho depois do almoço, tabaco, jornais desportivos, enfim, tudo e mais alguma coisa e que servisse para mostrar a este governo merdoso que, embora não pareça, estamos bem descontentes com a forma como a vida vai andando. É que de repente o português perdeu bem mais do que o poder de compra; a instituição "vai-se andando" tão bem difundida pelo Zé Povinho, já não tem bem a mesma conotação que outrora. Hoje em dia, "andando" significa que a vida vai uma valente merda e que as coisas estão cada vez piores. Em tudo. E vemos nas notícias as greves de diversas classes profissionais, e as inúmeras reuniões do governos com um nunca acabar de sindicatos e percebemos que com o povo ninguém do governo reune. A nós ninguém pede a opinião. "Acham que podemos aumentar os transportes públicos em 6%?". "O que acham do leite ficar mais caro 10 cêntimos". "Vamos aumentar as fraldas para incontinentes em cerca de 10%, acham que isso vos vai fazer mijar menos nas clças?".

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