kar(ma)toon

Bom Karma... ou não!

quinta-feira, novembro 30, 2006



As minhas sapatilhas são azuis, com cordões laranja
a minha barba cheira a palha
tenho um sinal num dedo do pé
gosto do cheiro da baunilha
e de tostas das boas com geleia

Hoje é um dia diferente
Segunda-feira vai ser ainda mais diferente
vai ser um dia de Graça.

Depois conto-vos,
mas não sei quando volto aqui.

Karmabox With A View (Hip Hop Style) - Beastie Boys - "Sure Shot"

Abro hoje um gabinete dentro de um departamento deste enorme ministério que é o Karmatoon.
Na próxima semana o Karmabox With A View vai-se dedicar a revisitar os meus heróis do Hip Hop. São muitos, demasiados, pelo que ainda não tenho bem a certeza quais vou seleccionar. Mas a lista contém nomes como A Tribe Called Quest, Das Efx, Public Enemy, Cypress Hill, Naughty By Nature, House Of Pain, etc, etc. nunca seria uma escolha concensual, é uma lista demasiado pessoal para isso.
Mas se quiserem saber como entrei e crescí no mundo do Rap/Hip Hop, então mantenham-se atentos...


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Karmabox - A Música Do Dia - Donavon Frankenreiter - "A Beautiful Day"

Hoje vai ser um...

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quarta-feira, novembro 29, 2006

Dennis Pennis

Sim, ok, o mundo anda muito atento ás provocações de um certo Borat, um falso reporter do Cazaquistão que se dedica a enlouquecer todos os que entrevista e provoca. Aliás, o seu filme acaba de estrear e com enorme sucesso um pouco por todo o mundo.

Convém no entanto lembrar que Sasha Baron Cohen não inventou a personagem do nada. Muito antes dele, Paul Kaye - outro comediante inglês - tinha já feito muito pior na pessoa de Dennis Pennis, um tresloucado-punk-geek reporter americano, que se deliciava a envergonhar todas as estrelas do mundo das artes de entertenimento. Pennis era ainda mais provocador, mais arriscado e ainda mais «violento» que Borat. Por alguma razão decidiu usar óculos, de forma a evitar que algumas das suas vitimas de decidissem a... enfim, optar por outros caminhos que não os da elegância e desportivismo.

Vejam os clips e testemunhem o que este louco fazia aos habitualmente intocáveis ídolos da sétima arte e afins...





Morphine




E agora um momento solene neste blog.
Se os irmãos blogueiros da Campaínha e do Hug The Dj quiserem comparticipar com informação, estejam à vontade.
Já aqui falei de Tom Waits.
Já falei dos Talking Heads.
Acho que só falei dos Doors assim ao de leve, não me lembro, estava muito pedrado.
Já dissequei ao máximo músicas e carreira do Devendra Banhart, dediquei letras suas aqui no blog, etc, etc...
Nunca tinha falado dos Morphine da forma que eles merecem - embora tenha feito um pequenino post acerca deles em 2005, e do qual me envergonho profundamente.

Os Morphine, portanto.

Formada em 1989 pelo baixista Mark Sandman - que, já agora, sempre achei imensamente parecido com o meu André de Lisboa - e pelo saxofonista Dana Colley, a banda de Boston foi, na minha humilde opinião, a mais cool de sempre da história da música. Cool até mais não; cool até à medúla; cool até doer; aliás, «Dr. House» cool!!!

Sandman tinha tocado num projecto de blues-rock alternativo, os Treat Her Right, e Colley com um grupo de jazz, os Three Colors. Convidaram o baterista Jerome Dupree e o resto é história. As influências musicais, tanto de Sandman como de Colley, fizeram-se desde sempre sentir no som dos Morphine. Misturaram jazz com rock com blues com muito tabaco e muito bourbon, tudo polvilhado por um certo espírito beatnick, nomeadamente nas letras das músicas, absolutamente loucas, e serviram tudo com uma energia que dicilmente poderá ser igualada.
Tudo isto condensado num estilo musical que nunca tinha existido e a que o próprio Sandman chamaria de Low Rock.
Por motivo de doença Dupree acabaria por ser substituído por Billy Conway, que se manteve como baterista de serviço até ao trágico fim da banda - mas já lá vou.

A formação dos Morphine era tudo menos... normal. Não tinham guitarras - ou quase nunca terão tido uma guitarra numa das suas gravações - e os seus instrumentos só aparentemente eram convencionais. Colley tocava um saxofone-baixo, da família dos saxofones, provavelmente, o menos usado, mesmo no mundo da música jazz. Não satisfeito, chegava a tocar dois saxofones simultaneamente...
Sandman não fez por menos e inventou um instrumento. Um baixo com duas cordas de baixo e uma de guitarra, tocada sempre em slide. Era a sua inegável imagem de marca.

Em 1993, poucas semanas após uma actuação em Portugal, Mark Sandman viria a sofrer um ataque cardíaco em pleno palco, na cidade de Palestrina, em Itália. Um ataque cardíaco fatal, para ele e para os Morphine, que não podiam continuar vivo sem o seu principal elemento.

Para a história ficam cinco álbuns de estúdio, e algumas outras edições, inclusive uma gravação bootleg de um concerto ao vivo em Detroit e que serve como o perfeito exemplo da qualidade e, especialmente, da energia que o trio depositava em palco.
Mas tudo sempre muito cool, tudo muito low profile, tudo muito low rock.








Karmabox - A Música Do Dia - Jolie Holland - "Old Fashion Morphine"

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terça-feira, novembro 28, 2006



(Já sei, vais-me ralhar, mas é para ti, Bárbara)





In these deep solitudes and awful cells,
Where heav'nly-pensive contemplation dwells,
And ever-musing melancholy reigns;
What means this tumult in a vestal's veins?
Why rove my thoughts beyond this last retreat?
Why feels my heart its long-forgotten heat?
Yet, yet I love! — From Abelard it came,
And Eloisa yet must kiss the name.

Dear fatal name! rest ever unreveal'd,
Nor pass these lips in holy silence seal'd.
Hide it, my heart, within that close disguise,
Where mix'd with God's, his lov'd idea lies:
O write it not, my hand — the name appears
Already written — wash it out, my tears!
In vain lost Eloisa weeps and prays,
Her heart still dictates, and her hand obeys.

Relentless walls! whose darksome round contains
Repentant sighs, and voluntary pains:
Ye rugged rocks! which holy knees have worn;
Ye grots and caverns shagg'd with horrid thorn!
Shrines! where their vigils pale-ey'd virgins keep,
And pitying saints, whose statues learn to weep!
Though cold like you, unmov'd, and silent grown,
I have not yet forgot myself to stone.
All is not Heav'n's while Abelard has part,
Still rebel nature holds out half my heart;
Nor pray'rs nor fasts its stubborn pulse restrain,
Nor tears, for ages, taught to flow in vain.

Soon as thy letters trembling I unclose,
That well-known name awakens all my woes.
Oh name for ever sad! for ever dear!
Still breath'd in sighs, still usher'd with a tear.
I tremble too, where'er my own I find,
Some dire misfortune follows close behind.
Line after line my gushing eyes o'erflow,
Led through a sad variety of woe:
Now warm in love, now with'ring in thy bloom,
Lost in a convent's solitary gloom!
There stern religion quench'd th' unwilling flame,
There died the best of passions, love and fame.

Yet write, oh write me all, that I may join
Griefs to thy griefs, and echo sighs to thine.
Nor foes nor fortune take this pow'r away;
And is my Abelard less kind than they?
Tears still are mine, and those I need not spare,
Love but demands what else were shed in pray'r;
No happier task these faded eyes pursue;
To read and weep is all they now can do.

Then share thy pain, allow that sad relief;
Ah, more than share it! give me all thy grief.
Heav'n first taught letters for some wretch's aid,
Some banish'd lover, or some captive maid;
They live, they speak, they breathe what love inspires,
Warm from the soul, and faithful to its fires,
The virgin's wish without her fears impart,
Excuse the blush, and pour out all the heart,
Speed the soft intercourse from soul to soul,
And waft a sigh from Indus to the Pole.

Thou know'st how guiltless first I met thy flame,
When Love approach'd me under Friendship's name;
My fancy form'd thee of angelic kind,
Some emanation of th' all-beauteous Mind.
Those smiling eyes, attemp'ring ev'ry day,
Shone sweetly lambent with celestial day.
Guiltless I gaz'd; heav'n listen'd while you sung;
And truths divine came mended from that tongue.
From lips like those what precept fail'd to move?
Too soon they taught me 'twas no sin to love.
Back through the paths of pleasing sense I ran,
Nor wish'd an Angel whom I lov'd a Man.
Dim and remote the joys of saints I see;
Nor envy them, that heav'n I lose for thee.

How oft, when press'd to marriage, have I said,
Curse on all laws but those which love has made!
Love, free as air, at sight of human ties,
Spreads his light wings, and in a moment flies,
Let wealth, let honour, wait the wedded dame,
August her deed, and sacred be her fame;
Before true passion all those views remove,
Fame, wealth, and honour! what are you to Love?
The jealous God, when we profane his fires,
Those restless passions in revenge inspires;
And bids them make mistaken mortals groan,
Who seek in love for aught but love alone.
Should at my feet the world's great master fall,
Himself, his throne, his world, I'd scorn 'em all:
Not Caesar's empress would I deign to prove;
No, make me mistress to the man I love;
If there be yet another name more free,
More fond than mistress, make me that to thee!
Oh happy state! when souls each other draw,
When love is liberty, and nature, law:
All then is full, possessing, and possess'd,
No craving void left aching in the breast:
Ev'n thought meets thought, ere from the lips it part,
And each warm wish springs mutual from the heart.
This sure is bliss (if bliss on earth there be)
And once the lot of Abelard and me.

Alas, how chang'd! what sudden horrors rise!
A naked lover bound and bleeding lies!
Where, where was Eloise? her voice, her hand,
Her poniard, had oppos'd the dire command.
Barbarian, stay! that bloody stroke restrain;
The crime was common, common be the pain.
I can no more; by shame, by rage suppress'd,
Let tears, and burning blushes speak the rest.

Canst thou forget that sad, that solemn day,
When victims at yon altar's foot we lay?
Canst thou forget what tears that moment fell,
When, warm in youth, I bade the world farewell?
As with cold lips I kiss'd the sacred veil,
The shrines all trembl'd, and the lamps grew pale:
Heav'n scarce believ'd the conquest it survey'd,
And saints with wonder heard the vows I made.
Yet then, to those dread altars as I drew,
Not on the Cross my eyes were fix'd, but you:
Not grace, or zeal, love only was my call,
And if I lose thy love, I lose my all.
Come! with thy looks, thy words, relieve my woe;
Those still at least are left thee to bestow.
Still on that breast enamour'd let me lie,
Still drink delicious poison from thy eye,
Pant on thy lip, and to thy heart be press'd;
Give all thou canst — and let me dream the rest.
Ah no! instruct me other joys to prize,
With other beauties charm my partial eyes,
Full in my view set all the bright abode,
And make my soul quit Abelard for God.

Ah, think at least thy flock deserves thy care,
Plants of thy hand, and children of thy pray'r.
From the false world in early youth they fled,
By thee to mountains, wilds, and deserts led.
You rais'd these hallow'd walls; the desert smil'd,
And Paradise was open'd in the wild.
No weeping orphan saw his father's stores
Our shrines irradiate, or emblaze the floors;
No silver saints, by dying misers giv'n,
Here brib'd the rage of ill-requited heav'n:
But such plain roofs as piety could raise,
And only vocal with the Maker's praise.
In these lone walls (their days eternal bound)
These moss-grown domes with spiry turrets crown'd,
Where awful arches make a noonday night,
And the dim windows shed a solemn light;
Thy eyes diffus'd a reconciling ray,
And gleams of glory brighten'd all the day.
But now no face divine contentment wears,
'Tis all blank sadness, or continual tears.
See how the force of others' pray'rs I try,
(O pious fraud of am'rous charity!)
But why should I on others' pray'rs depend?
Come thou, my father, brother, husband, friend!
Ah let thy handmaid, sister, daughter move,
And all those tender names in one, thy love!
The darksome pines that o'er yon rocks reclin'd
Wave high, and murmur to the hollow wind,
The wand'ring streams that shine between the hills,
The grots that echo to the tinkling rills,
The dying gales that pant upon the trees,
The lakes that quiver to the curling breeze;
No more these scenes my meditation aid,
Or lull to rest the visionary maid.
But o'er the twilight groves and dusky caves,
Long-sounding aisles, and intermingled graves,
Black Melancholy sits, and round her throws
A death-like silence, and a dread repose:
Her gloomy presence saddens all the scene,
Shades ev'ry flow'r, and darkens ev'ry green,
Deepens the murmur of the falling floods,
And breathes a browner horror on the woods.

Yet here for ever, ever must I stay;
Sad proof how well a lover can obey!
Death, only death, can break the lasting chain;
And here, ev'n then, shall my cold dust remain,
Here all its frailties, all its flames resign,
And wait till 'tis no sin to mix with thine.

Ah wretch! believ'd the spouse of God in vain,
Confess'd within the slave of love and man.
Assist me, Heav'n! but whence arose that pray'r?
Sprung it from piety, or from despair?
Ev'n here, where frozen chastity retires,
Love finds an altar for forbidden fires.
I ought to grieve, but cannot what I ought;
I mourn the lover, not lament the fault;
I view my crime, but kindle at the view,
Repent old pleasures, and solicit new;
Now turn'd to Heav'n, I weep my past offence,
Now think of thee, and curse my innocence.
Of all affliction taught a lover yet,
'Tis sure the hardest science to forget!
How shall I lose the sin, yet keep the sense,
And love th' offender, yet detest th' offence?
How the dear object from the crime remove,
Or how distinguish penitence from love?
Unequal task! a passion to resign,
For hearts so touch'd, so pierc'd, so lost as mine.
Ere such a soul regains its peaceful state,
How often must it love, how often hate!
How often hope, despair, resent, regret,
Conceal, disdain — do all things but forget.
But let Heav'n seize it, all at once 'tis fir'd;
Not touch'd, but rapt; not waken'd, but inspir'd!
Oh come! oh teach me nature to subdue,
Renounce my love, my life, myself — and you.
Fill my fond heart with God alone, for he
Alone can rival, can succeed to thee.

How happy is the blameless vestal's lot!
The world forgetting, by the world forgot.
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray'r accepted, and each wish resign'd;

Labour and rest, that equal periods keep;
"Obedient slumbers that can wake and weep;"
Desires compos'd, affections ever ev'n,
Tears that delight, and sighs that waft to Heav'n.
Grace shines around her with serenest beams,
And whisp'ring angels prompt her golden dreams.
For her th' unfading rose of Eden blooms,
And wings of seraphs shed divine perfumes,
For her the Spouse prepares the bridal ring,
For her white virgins hymeneals sing,
To sounds of heav'nly harps she dies away,
And melts in visions of eternal day.

Far other dreams my erring soul employ,
Far other raptures, of unholy joy:
When at the close of each sad, sorrowing day,
Fancy restores what vengeance snatch'd away,
Then conscience sleeps, and leaving nature free,
All my loose soul unbounded springs to thee.
Oh curs'd, dear horrors of all-conscious night!
How glowing guilt exalts the keen delight!
Provoking Daemons all restraint remove,
And stir within me every source of love.
I hear thee, view thee, gaze o'er all thy charms,
And round thy phantom glue my clasping arms.
I wake — no more I hear, no more I view,
The phantom flies me, as unkind as you.
I call aloud; it hears not what I say;
I stretch my empty arms; it glides away.
To dream once more I close my willing eyes;
Ye soft illusions, dear deceits, arise!
Alas, no more — methinks we wand'ring go
Through dreary wastes, and weep each other's woe,
Where round some mould'ring tower pale ivy creeps,
And low-brow'd rocks hang nodding o'er the deeps.
Sudden you mount, you beckon from the skies;
Clouds interpose, waves roar, and winds arise.
I shriek, start up, the same sad prospect find,
And wake to all the griefs I left behind.

For thee the fates, severely kind, ordain
A cool suspense from pleasure and from pain;
Thy life a long, dead calm of fix'd repose;
No pulse that riots, and no blood that glows.
Still as the sea, ere winds were taught to blow,
Or moving spirit bade the waters flow;
Soft as the slumbers of a saint forgiv'n,
And mild as opening gleams of promis'd heav'n.

Come, Abelard! for what hast thou to dread?
The torch of Venus burns not for the dead.
Nature stands check'd; Religion disapproves;
Ev'n thou art cold — yet Eloisa loves.
Ah hopeless, lasting flames! like those that burn
To light the dead, and warm th' unfruitful urn.

What scenes appear where'er I turn my view?
The dear ideas, where I fly, pursue,
Rise in the grove, before the altar rise,
Stain all my soul, and wanton in my eyes.
I waste the matin lamp in sighs for thee,
Thy image steals between my God and me,
Thy voice I seem in ev'ry hymn to hear,
With ev'ry bead I drop too soft a tear.
When from the censer clouds of fragrance roll,
And swelling organs lift the rising soul,
One thought of thee puts all the pomp to flight,
Priests, tapers, temples, swim before my sight:
In seas of flame my plunging soul is drown'd,
While altars blaze, and angels tremble round.

While prostrate here in humble grief I lie,
Kind, virtuous drops just gath'ring in my eye,
While praying, trembling, in the dust I roll,
And dawning grace is op'ning on my soul:
Come, if thou dar'st, all charming as thou art!
Oppose thyself to Heav'n; dispute my heart;
Come, with one glance of those deluding eyes
Blot out each bright idea of the skies;
Take back that grace, those sorrows, and those tears;
Take back my fruitless penitence and pray'rs;
Snatch me, just mounting, from the blest abode;
Assist the fiends, and tear me from my God!

No, fly me, fly me, far as pole from pole;
Rise Alps between us! and whole oceans roll!
Ah, come not, write not, think not once of me,
Nor share one pang of all I felt for thee.
Thy oaths I quit, thy memory resign;
Forget, renounce me, hate whate'er was mine.
Fair eyes, and tempting looks (which yet I view!)
Long lov'd, ador'd ideas, all adieu!
Oh Grace serene! oh virtue heav'nly fair!
Divine oblivion of low-thoughted care!
Fresh blooming hope, gay daughter of the sky!
And faith, our early immortality!
Enter, each mild, each amicable guest;
Receive, and wrap me in eternal rest!

See in her cell sad Eloisa spread,
Propp'd on some tomb, a neighbour of the dead.
In each low wind methinks a spirit calls,
And more than echoes talk along the walls.
Here, as I watch'd the dying lamps around,
From yonder shrine I heard a hollow sound.
"Come, sister, come!" (it said, or seem'd to say)
"Thy place is here, sad sister, come away!
Once like thyself, I trembled, wept, and pray'd,
Love's victim then, though now a sainted maid:
But all is calm in this eternal sleep;
Here grief forgets to groan, and love to weep,
Ev'n superstition loses ev'ry fear:
For God, not man, absolves our frailties here."

I come, I come! prepare your roseate bow'rs,
Celestial palms, and ever-blooming flow'rs.
Thither, where sinners may have rest, I go,
Where flames refin'd in breasts seraphic glow:
Thou, Abelard! the last sad office pay,
And smooth my passage to the realms of day;
See my lips tremble, and my eye-balls roll,
Suck my last breath, and catch my flying soul!
Ah no — in sacred vestments may'st thou stand,
The hallow'd taper trembling in thy hand,
Present the cross before my lifted eye,
Teach me at once, and learn of me to die.
Ah then, thy once-lov'd Eloisa see!
It will be then no crime to gaze on me.
See from my cheek the transient roses fly!
See the last sparkle languish in my eye!
Till ev'ry motion, pulse, and breath be o'er;
And ev'n my Abelard be lov'd no more.
O Death all-eloquent! you only prove
What dust we dote on, when 'tis man we love.

Then too, when fate shall thy fair frame destroy,
(That cause of all my guilt, and all my joy)
In trance ecstatic may thy pangs be drown'd,
Bright clouds descend, and angels watch thee round,
From op'ning skies may streaming glories shine,
And saints embrace thee with a love like mine.

May one kind grave unite each hapless name,
And graft my love immortal on thy fame!
Then, ages hence, when all my woes are o'er,
When this rebellious heart shall beat no more;
If ever chance two wand'ring lovers brings
To Paraclete's white walls and silver springs,
O'er the pale marble shall they join their heads,
And drink the falling tears each other sheds;
Then sadly say, with mutual pity mov'd,
"Oh may we never love as these have lov'd!"

From the full choir when loud Hosannas rise,
And swell the pomp of dreadful sacrifice,
Amid that scene if some relenting eye
Glance on the stone where our cold relics lie,
Devotion's self shall steal a thought from Heav'n,
One human tear shall drop and be forgiv'n.
And sure, if fate some future bard shall join
In sad similitude of griefs to mine,
Condemn'd whole years in absence to deplore,
And image charms he must behold no more;
Such if there be, who loves so long, so well;
Let him our sad, our tender story tell;
The well-sung woes will soothe my pensive ghost;
He best can paint 'em, who shall feel 'em most.



Eloisa to Abelard - Alexander Pope

Karmabox With A View - Thomas Dybdahl - "Love's Lost"



Não, não é o dia Thomas Dybdahl aqui no Karmatoon.
Mas estava a ouvir as música deste rapaz quando passei por um dos meus momentos mais tristes, ainda este ano, e senti uma estranha nostalgia de um dia mau.
E merece sempre a atenção dos nossos ouvidos e olhos...



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Karmabox - A Música Do Dia - Thomas Dybdahl - "One Day You'll Dance For Me, New York City"









dazed and confused
but most of all battered and bruised
i came with a dream
shared by more than a few it seems

fall asleep now, new york city
i need to rest my eyes
someday i`ll rise, new york city
one day you`ll dance for me

fall back
it`s been a lot day but we`re still on track
embrace the fierce reality
or wither away in sentimentality

all asleep now, new york city
i need to rest my eyes
someday i`ll rise, new york city
one day you`ll dance for me

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segunda-feira, novembro 27, 2006

Este também merecia estar aqui na sua totalidade, mas...

Vi-o no antiguinho Trindade, embrulhado no meu casaco, com um frio do caraças. Mesmo a condizer com o ambiente.


Música para gente sentada (ou, de acordo com a opinião Barbaramente credível, «para gente que anda de cá para lá») - Conclusão




Comecemos pelo final, que deveria ter sido ao som de Emiliana Torrini - ou Torrana, como ouvi alguém dizer - e não foi, aparentemente por motivo de saúde...
Como a menina resolveu não aparecer, o último nome a subir ao palco no último dos dois dias do festival foi o dos Sparklehorse... E como é que eu poderei dizer isto de uma forma elegante? Deram-me seca. Pronto já está! Os Sparklehorse, de quem eu conhecia muito pouco e até gostava deram-me uma tremenda seca. Nunca consegui entrar na sua onda obssessiva-compulsiva-repetitiva-chata, e sinceramente não apreciei a mistura Smashing Pumpkins meets Billie Ray Cirus. De facto psicadelismo country não era bem o que me estava a apetecer naquela noite, lamento. As músicas até começavam muito bem, harmoniosas e de melodia bonita e singela, mas descambavam sempre na mesma falta de idéias, resolvida sempre com uma guitarrada rasgada e desesperada. O público estava lá todo por eles, mas eu sinceramente não fiquei nada fã. Bem talvez do baterista, fantástico, já agora.


Antes...
E admito, sou muito suspeito no que a este senhor diz respeito, mas a verdade é que voltei a render-me aos encantos do rapaz Ed. Ed Harcourt. E é verdade também, o inglês começou frio e distante, um pouco à imagem do público que, como já disse, estava lá para ver os Sparklehorse. Aos poucos foi ganhando confiança e adquirindo o calor com que nos tinha presenteado no seu concerto na sala do Batalha. Roçou o brilhante e teve um momento de tirar o fôlego com a sequência Until tomorrow then/Black Dress/Trapdoor. No final o público estava rendido e pelo menos conseguiu conquistar mais um fã, neste caso a minha companhia, que já conhecia alguns dos temas e que se encantou pela atitude e postura em palco do cantautor britânico.
Mais uma vez, não foi tão bom quanto o concerto do Batalha, mas a qualidade das suas canções vence qualquer menor inspiração.

Quanto aos restantes concertos, os de quinta feira, poderão ficar a saber tudo e mais alguma coisa nos blogs Campainha Eléctrica e Hug The DJ. Aliás, nos próximos dias, espreitem-nos que vão ter uma, ou várias, boas supresas.



Tu és um homem de paixões violentas, um homem faminto que não sabe ao certo sobre que recai o seu apetite, um homem profundamente frustrado que luta no intuito de projectar a sua individualidade no espaldar da rígida conformidade. Existes num submundo suspenso entre duas superestruturas, uma de auto-expressão, outra de autodestrição. Tu és forte, mas existe uma falha na tua fortaleza e, a não ser que aprendas a dominar-te, a falha revelar-se-á mais forte do que a fortaleza e destruir-te-á. Qual é essa falha?


Li estas palavras ontem à tarde, sentado á janela, depois dos «pequeno almoço e passeio a pé» rituais dos meus Domingos de manhã, que começam a ser cada vez menos de manhã e cada vez mais ao início da tarde.
Li-as no livro "A Sangue Frio", de Truman Capote.

Na sexta feira soube que um bom amigo meu - um dos melhores - e uma das pessoas que mais amo na vida tinha estado doente. Nada de grave, mas preocupantemente doente. Conversamos sobre coisas que nunca havíamos falado e confrontámo-nos com o facto da maioria das pessoas não querer olhar para um dos «eus» que transporta consigo. O meu amigo fez isso por demasiado tempo e acabou invariavelmente por pagar a factura. A conversa levou-o à pergunta do costume, aquela que se faz sempre entre amigos, e tu, como estás?. As queixas do costume. O cansaço mental provocado pelos ensaios da peça, as poucas horas de sono em que eu teimosamente insisto, as inseguranças...
Atirou-me um tu culpas-te muito, não é?, que me deixou a pensar. A pensar nesse tal «eu» que transporto comigo e a que tento não prestar muita atenção e que no entanto acaba por comandar a minha vida. Mais do que qualquer outro «eu» que possa viver cá dentro.
À noite fui assistir ao lançamento de um livro, no Clube Literário do Porto - livro esse que aconselho francamente, embora não o tenha lido ainda. Chama-se O Último Nocturno e o seu autor é Aires Montenegro. Sinceramente parece-me muito bom, procurem-no.
Durante a apresentação tive uma sensação estranhamente certa. A certeza inabalável de que não tenho qualquer peso na vida das pessoas. Não me censurem, não é coisa que se sinta propositadamente e nem sei bem explicar como se sente algo assim. Mas foi muito forte.
Tu culpas-te muito, não é?
Saí da sala impecável, sorri e cumprimentei; dei os parabéns a quem os merecia e apertei mãos. Combinei o jogo de futebol do dia seguinte e saí, mas há já muito tempo que não estava naquela sala.
O resto da noite foi doloroso por isso e pela confrontação com as minhas fraquezas e com o meu comportamento por vezes anti-social. Nem me apercebo, mas devo ser uma pessoa nem sempre fácil de lidar ou compreender.

Ontem, ao ler as palavras no livro de Capote, senti o fechar do ciclo iniciado pelas do André, na sexta feira. Um ciclo pautado pela absoluta certeza da descoberta de algo que até aqui era somente um acho que...
A descoberta de que, de todas as inseguranças, de todos os fantasmas, criados pelo meu passado recente - e que tenho vindo a matar, um a um, com a ajuda de alguém que os conhece tão bem - ainda há um, enorme, pesado, balofo, que insiste em viver comodamente sentado cá dentro, não sei bem onde, e que me impede qualquer movimento mais ágil. Este fim de semana percebi finalmente que só existe uma falha na minha fortaleza, e consegui identificá-la na perfeição.
Este fim de semana, tudo se alinhou numa estranha e retorcida harmonia; as palavras dos outros, as suas opiniões a meu respeito, as situações com que fui confrontado; tudo se conjugou para eu descobrir finalmente e de uma vez por todas que não acredito em mim.

Karmabox - A Música DO Dia - Björk - "Play Dead"




darling stop confusing me
with your wishful thinking
hopeful enbraces
don't you understand?
I have to go through this
I belong to here where
no one cares and no one loves
no light no air to live in
a place called hate
the city of fear
I play dead
it stops the hurting
I play dead
and hurting stops
it's sometimes just like sleeping
curling up inside my private tortures
I nestle into pain
hug suffering
caress every ache
I play dead
it stops the hurting

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sexta-feira, novembro 24, 2006

Para ir de fim de semana em paz



Em conversa com o Zé do costume, discutíamos esse (felizmente) subvalorizado festival de música (diz-se que) para gente sentada, e dos nomes que podiam vir para o próximo ano.
De imediato nos saltou este à memória, Joanna Newsom.
E bem que podia cá vir encantar a malta.
Esta é uma das mais bonitas que conheço. Acho que concordarás, Zezito...




Simon Bisley - Mini-Portfolio

Eu sei, rapazes, queriam levar uma destas para casa...


Regressando aos meus ídolos absolutos da BD e ilustração...

E surge Simon Bisley, um dos ilustradores responsáveis por uma das maiores dores que tive no maxilar e não pelas razões mais ou menos fisicas que vos podem estar a ocorrer neste momento. A primeira vez que deitei estes olhinhos numa imagem da sua autoria fiquei tão basbaque que não consegui fechar a boca por algumas horas - o que me causou a tal dor e fez com que, por não a conseguir fechar, me babasse proficuamente e desidratasse.

Bisley será porventura o pai da BD-Rock. Porventura porque é um conceito não reconhecido oficial. Maa a verdade é que o estilo que o homem sempre impôs no seu trabalho granjeou-lhe esse estatuto, ao mesmo tempo que criava fãs um pouco por toda a parte, nomeadamente no mundo do Heavy-Metal e outros sub-géneros da música do demo.
Bisley tornou-se assim responsável pela autoria de inúmeras capas de revistas de música e de discos de algumas bandas da pesada, assim como de videojogos, action-figures, e tudo o que envolvesse minimamente o seu imaginário. Imaginário onde tudo e todos são impossivelmente enormes e deproporcionados. Dragões, monstros de toda a espécie, músculos, especialmente os bícepes, seios voluptuosos e respectivo corpinho a acompanhar, espadas e machados, tudo, tudo no mundo de Bisley é exagerado.
No seu trabalho pode-se perceber alguma influência de universos próximos do de O Senhor Dos Anéis, por exemplo, mas o artista inglês ficou conhecido particularmente por ter reanimado alguns heróis ao mesmo tempo que dava novas roupagens - sempre tétricas, violentas e carregadinhas da mais ácida ironia - a outros, clássicos. Judge Dredd, Lobo, Swamp Thing, Batman vs Judge Dredd, e isto só para citar um milésimo do que este senhor produziu.

Como não consegui editar mais imagens suas neste texto, vou tentar no próximo post, ok?

Karmabox - A Música Do Dia - Wu Tang Clan - "Gravel Pit"

O Zé vai-me gozar tanto...

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Karmabox With A View

Este é dedicado a um grupo de pessoas e a uma determinada época das suas vidas.
Foi a música que me deu a conhecer a noção reco-treco-bazareco e a que promoveu a discussão mais insana de que tenho memória em plenas ruas de Menorca.
E para disspiar toda e qualquer poeira de dúvida que tenha resultado dessa discussão...
Zé, mega-cromo, lê lá depois do videozinho, se fazes favor!







They say an end can be a start
Feels like I've been buried yet I'm still alive
It's like a bad day that never ends
I feel the chaos around me
A thing I don't try to deny
I'd better learn to accept that
There are things in my life that I can't control

They say love ain't nothing but a sore
I don't even know what love is
Too many tears have had to fall
Don't you know I'm so tired of it all
I have known terror dizzy spells
Finding out the secrets words won't tell
Whatever it is it can't be named
There's a part of my world that' s fading away

You know I don't want to be clever
To be brilliant or superior
True like ice, true like fire
Now I know that a breeze can blow me away
Now I know there's much more dignity
In defeat than in the brightest victory
I'm losing my balance on the tight rope
Tell me please, tell me please, tell me please...

If I ever feel better
Remind me to spend some good time with you
You can give me your number
When it's all over I'll let you know

Hang on to the good days
I can lean on my friends
They help me going through hard times
But I'm feeding the enemy
I'm in league with the foe
Blame me for what's happening
I can't try, I can't try, I can't try...

No one knows the hard times I went through
If happiness came I miss the call
The stormy days ain't over
I've tried and lost know I think that I pay the cost
Now I've watched all my castles fall
They were made of dust, after all
Someday all this mess will make me laugh
I can't ewait, I can't wait, I can't wait...

If I ever feel better
Remind me to spend some good time with you
You can give me your number
When it's all over I'll let you know
If I ever feel better
Remind me to spend some good time with you
You can give me your number
When it's all over I'll let you know

It's like somebody took my place
I ain't even playing my own game
The rules have changed well I didn't know
There are things in my life I can't control
I feel the chaos around me
A thing I don't try to deny
I'd better learn to accept that
There's a part of my life that will go away

Dark is the night, cold is the ground
In the circular solitude of my heart
As one who strives a hill to climb
I am sure I'll come through I don't know how
They say an end can be a start
Feels like I've been buried yet I'm still alive

I'm losing my balance on the tight rope
Tell me please, tell me please, tell me please...

If I ever feel better
Remind me to spend some good time with you
You can give me your number
When it's all over I'll let you know

If I ever feel better
Remind me to spend some good time with you
You can give me your number
When it's all over I'll let you know

If I ever feel better
Remind me to spend some good time with you
You can give me your number
When it's all over I'll let you know

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quinta-feira, novembro 23, 2006

Hoje era particularmente escolher uma sequência de cinema daquelas que me marcaram. Porque resolvi vasculhar o arquivo dos irmãos Coen.
E porque isso me fez recordar que em todos os filmes por eles produzidos - melhores ou piores - existem cenas memoráveis.
De Barton Fink a Miller's Crossing; de Raising Arizona a The Hudsucker Proxy, o legado audiovisual deste americanos é riquíssimo.
Sendo assim, e para não ocupar muito do espaço diário do meu blog, resolvi escolher duas maravilhosas cenas de um dos filmes que mais me fez rir, O Brother Where Art Thou.





Uma mulher sem cabeça...

Ontem fui comer uma salada de fusilli, camarão, queijo, frango, feijão verde, com respectivo molho de alho, um sumo de maçã/banana, umas trincas numa meia ssndes de paio que alguém não conseguiu acabar, nachos picantes, coca-cola e ver a Marie Antoinette de Sofia Coppola...

Eu sei, foi uma noite em cheio, certo?

Da comidinha, nada há dizer. Tava bem boa!
Quanto ao filme...
Posso começar por dizer que vi mais do mesmo. O que no caso da Coppola não significa, nem de perto nem de longe, que o filme é mau. Nem de perto, nem de longe.
A miúda Coppola arrisca contar a história da rainha Antonieta - mas não a história completa, claro está - de uma forma... estranha. Ou melhor, da mesma forma com que filma sempre tudo o que faz. O que vemos são imagens longas, contemplativas, raios de luz, sombras, pormenores de uma cadeira, a relva de um jardim. Quadros, alguns pequenos, outros nem por isso, sem diálogos, ou quase - o filme tem duas horas e os diálogos, todos juntos, não devem perfazer meia hora -, e um cuidado na arquitectura de todo o filme que, apesar de à primeira vista, passar despercebido, é pura filigrana cinemática.
Ou seja, o filme é um objecto estranho. Um hibrido, já que Sofia Coppola decide enveredar por uma trilha sonora no minimo... surpreendente. The Strokes, Bow Wow Wow, Siouxsie & The Banshees, New Order e Adam and the Ants, só para mencionar alguns. Sim, e é um filme de época, com tudo a que tem direito e uma banda sonora do século XX a fugir sempre para o punk-rock-new-wave-etc-e-tal. Mas atenção, sem nunca resvalar para o excesso do Romeu e Julieta de Baz Luhrman ou outras pinderiquices que se lhe seguiram - e eu até gostei da megalómana produção de Baz. Neste filme, a música encaixa na perfeição e dá-lhe um toque que me prendeu do princípio ao fim e que me fez saur da sala de barriguinha cheia - e não me refiro à salada e ao diabo a quatro que emborquei à pressa antes do início da sessão: o sentimento de tristeza, misto de rebeldia timida, que trespassa o filme e as suas personagens principais. Kirste Dunst tem um trabalho de qualidade na construção de uma miúda casada por conveniência politica aos quinze anos com um futuro rei mono até à medúla - Luis XVI -, que se vê repentinamente despida (literalmente) de tudo o que a ligava à sua Áustria natal e que, quando ainda se estava a habituar à vida chata da corte francesa, é coroada rainha aos dezanove por motivo da morte do súbito, o Rei-Avô.
Dessa experiência confusa, turbilhão de tudo e mais alguma coisa ao desnorte total, seu e do seu real esposo, o passo foi pequenino, pequenino. E o resto, como se costuma dizer, é história.
Destaco duas cenas antes de ir almoçar - o resto da enorme sandes de paio que sobrou de ontem: aquela em que vemos Antonieta a ser vestida pela primeira vez por um verdadeiro exército de damas da corte e a cena absolutamente antológica do jantar à mesa do rei e dos sussurros mal disfarçados de todos os presentes. Genial!

Uma curiosidade: numa sequência de imagens em que acompanhamos a rainha numa verdadeira orgia de calçado, vou jurar que vi pelo, meio de dezenas de pares de sapatinhos em cetim, umas All-Star azuis...








Hug The DJ & Campainha

Esta é para vocês.
Os moços em Lisboa esqueceram-se desta - para mim uma das melhores deste ano a acabar. Ainda a berrei lá do fundinho onde estava, mas lá não ouviram...
Crizinha, baldaste-te ao concerto do ano - na minha modesta opinião - mas deixa lá: da próxima arrasto-te nem que para isso tenha de te dopar com ambientador de casa de banho.

Karmabox - A Música Do Dia - Lhasa De Sela - "La Celestina"

Música do coração...
e das tripas e do sangue e dos músculos, nervos, tendões.

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quarta-feira, novembro 22, 2006

Estou em frente ao ecrã há dez minutos e não me ocorre nada para escrever.
Ia publicar um texto e respectivas imagens da explosão descontrolada de ira que o actor Michael Richards - o Kramer da série "Seinfeld" - teve no clube Laugh Factory, a meio de um set de stand up. Uma explosão que visava espectadores que insistiam em incomodar o seu trabalho e que foram atacados com um chorrilho de insultos racistas e de uma violência impressionante. Ia também publicar o mea culpa que Richards fez em directo no programa de David Letterman, e que mostram um homem agastado e fragilizado, nada consensual com a imagem que temos de Kramer, provavelmente a personagem mais deliciosa da história das séries de televisão.
Mas achei por bem não embarcar numa polémica que não é mais do que isso mesmo, polémica. O homem é brilhante e cometeu um erro. Avancemos.

Portanto continuo sem nada para escrever e previno-vos: provavelmente a quantidade de letras que se seguem não passará disso mesmo. Encher este quadrado branco com letras e nada mais. Porque não tenho nada na cabeça que possa depositar no meu blog e o que tenho no coração é confuso. Tão confuso que dificilmente faria algum sentido.
Estou esgotado. Tenho a cabeça cheia de tudo e não me consigo concentrar em nada do que faço ultimamente.
Parece que estou à espera que aconteça alguma coisa, mas não tenho bem a certeza do quê.

Parei mais uns minutinhos...
Não vale a pena.
Fecho a porta por hoje e vou jantar ou algo do género.
Até amanhã.

Robert Altman 1925 - 2006

Karmabox - A Música Do Dia - Screamin' Jay Hawkins - "I Put A Spell On You"

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terça-feira, novembro 21, 2006

Música Para Gente Sentada

E para aquecer os corações...

Emiliana Torrini ficaria conhecida apenas por ter dado voz ao tema de Gollum no último filme da trilogia do Senhor dos Aneis, de Peter Jackson...
Não fosse por já ter um (bom) punhado de excelente e lindíssimas canções. É senhora-menina de uma voz que derrete qualquer claque de futebol, garantidamente.





Dos Sparklehorse só posso dizer que gosto muito de todo o pouquinho que conheço, e que vou vê-los carregadinho de esperança. Esperança num magnifico concerto. Para amigos...




E é de amigos que se fala a seguir.
Vou rever um, o Ed Harcourt.
E já aqui falei tantas vezes nele, que me vou excusar à repetição. Felizes aqueles que o vão ver à Vila da Feira no Sábado, é o que sei dizer...



M Ward - Chinese Translation

Próximo Sábado, em Vila da Feira vou ver de uma assentada Sparklehorse, Emiliana Torrini e o enorme Ed Harcourt - destes falo já a seguir.
Infelizmente ainda não foi desta que este senhor decidiu dar cá um pulinho...
Fica o video, de uma beleza avassaladora.




I sailed a wild, wild sea climbed up a tall, tall mountain
I met a old, old man beneath a weeping willow tree
He said now if you got some questions go and lay them at my feet
but my time here is brief so you'll have to pick just three

And I said
What do you do with the pieces of a broken heart
and how can a man like me remain in the light
and if life is really as short as they say then why is the night so long
and then the sun went down and he sang for me this song

See I once was a young fool like you
afraid to do the things that I knew I had to do
So I played an escapade just like you I played an escapade just like you
I sailed a wild, wild sea climbed up a tall, tall mountain I met an old, old man
he sat beneath a sapling tree

He said now if you got some questions go and lay them at my feet
but my time here is brief so you'll have to pick just three
And I said
What do you do with the pieces of a broken heart
and how can a man like me remain in the light
and if life is really as short as they say then why is the night so long
and then the sun went down and he played for me this song


Desde ontem o meu acesso à internet está e vai estar bastante condicionado.
Por essa razão a avalanche - por vezes exagerada de postagens aqui no Karmatoon - vai acabar.
Mantenho, para já a permissa de diariamente deixar aqui uma musiquinha para quem quiser ouvir.
Prometo, sempre que puder sou cá uma saltada e visito os vossos cantinhos também.
Ah, e tentem mesmo dar uma saltada a www.hugthedj.blogspot.com, merece bem a pena.

Karmabox - A Música Do Dia - Beck - "Everybody's Got To Learn Sometimes"

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segunda-feira, novembro 20, 2006

Devido ás reacções ao meu post acerca do fim de semana e do pressentimento...
Expliquei-me mal. O tal pressentimento tenho-o, e já o tenho há algum tempo. Não queria dizer que me fosse acontecer alguma coisa NESTE fim de semana.
As minhas desculpas e o meu agradecimento pela preocupação demonstrada.

Karmabox - A Música Do Dia - Tom Waits - "(Looking For) The Heart Of Saturday Night"

Eu sei que não devia misturar o Karmabox com outras coisas, mas areditem, esta era inevitável.
Porque no Sábado à noite dei por mim a conduzir o meu carro, perdido num trânsito infernal, porque pessoas decidiram conhecer-se no meio do tabuleiro da ponte da Arrábida por intermédio de um acidente de viação a cinco, e perdido em tantos e tão confusos pensamentos que a minha cabeça mais parecia uma cacofonia. Como se tivesse lá dentro dezenas de rádios, dezenas de televisões, dezenas de pessoas, dezenas de carros a buzinar, todos a fazerem barulho ao mesmo tempo. E de repente, o silêncio.
De repente a minha cabeça ficou vazia. Porque pensei que tanto ruído era uma absoluta perda de tempo. Pensei que o momento que tinha antecedido aquele momento era ilógico e sem sentido. Que era suposto aquele momento, o anterior, ter sido de harmonia. Um momento como tantos outros em que não houve ruído.
Pensei neste música do velho Tom. Pensei em como acredito no que ele diz, acima de tudo, em como sinto tal e qual o que ele diz. A vaidade que sentimos quando sabemos que vamos ter com a nossa sweet one, e de como nos preparamos, como nos tentamos pôr bonitos, só para a impressionar, só para percebermos, pelo canto do olho, que ela nos admira, pelo canto do olho dela, sem dizer nada, sem desmanchar as defesas, um sorriso muito ténue que disfarça sempre com um "estava aqui a pensar numa coisa, não é nada" e nós sabemos sempre o que é mas mantemos o segredo, como uma coisa de crianças, bonita, pequenina, guardada no coração.

O fim da noite ganhou, por isso, uma manchinha de tristeza pelo sucedido que não o devia ter sido, mas também um sabor a conforto. O barraco - sempre esse - ajudou bastante e o abraço para dormir...
Fez tudo o resto.

Ouçam, por favor.



Well you gassed her up
Behind the wheel
With your arm around your sweet one
In your Oldsmobile
Barrelin' down the boulevard
You're looking for the heart of Saturday night

And you got paid on Friday
And your pockets are jinglin'
And you see the lights
You get all tinglin' cause you're cruisin' with a 6
And you're looking for the heart of Saturday night

Then you comb your hair
Shave your face
Tryin' to wipe out ev'ry trace
All the other days
In the week you know that this'll be the Saturday
You're reachin' your peak

Stoppin' on the red
You're goin' on the green
'Cause tonight'll be like nothin'
You've ever seen
And you're barrelin' down the boulevard
Lookin' for the heart of Saturday night

Tell me is the crack of the poolballs, neon buzzin?
Telephone's ringin'; it's your second cousin
Is it the barmaid that's smilin' from the corner of her eye?
Magic of the melancholy tear in your eye.

Makes it kind of quiver down in the core
'Cause you're dreamin' of them Saturdays that came before
And now you're stumblin'
You're stumblin' onto the heart of Saturday night

Well you gassed her up
And you're behind the wheel
With your arm around your sweet one
In your Oldsmobile
Barrellin' down the boulevard,
You're lookin' for the heart of Saturday night

Is the crack of the poolballs, neon buzzin?
Telephone's ringin'; it's your second cousin
And the barmaid is smilin' from the corner of her eye
Magic of the melancholy tear in your eye.

Makes it kind of special down in the core
And you're dreamin' of them Saturdays that came before
It's found you stumblin'
Stumblin' onto the heart of Saturday night
And you're stumblin'
Stumblin onto the heart of Saturday night

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domingo, novembro 19, 2006

É o acontecimento do ano!!!

É definitivamente o acontecimento do ano!!!
O Zé e a Cris criaram um blog.
Cheio de charme, cheio de humor, muito chique e elegante. Sexy!
As normas por eles criadas impedem-me de deixar aqui o respectivo link, mas...
deixo a dica: um saltinho à Campainha Eléctrica, e o link está lá.
Vale bem a pena, acreditem.
Vivam os meninos do barraco!

sábado, novembro 18, 2006

Gabriel o Pensador

sexta-feira, novembro 17, 2006



Afinal vou para fim de semana com um mau pressentimento.
Um mau estar aqui na boca do estômago.
O pressentimento de que uma coisa má vai acontecer. Uma coisa má que eu sei o que é.
Como se desfaz isto?
Tenho de distrair os fantasmas este fim de semana...


Tens razão Miguel .
E de facto o tempo não ajuda, pois não?
Tanto cinzento para um dia só.
Aderi à tua «macambuzisse» e lembrei-me da única pessoa de que me poderia lembrar num dia como o de hoje. Acho que concordas com a escolha.
Porque ouve-se a música, percebe-se a letra e de imediato nos apetecia estar sentadinho no abraço dos amigos num certo barraco do nosso conhecimento, certo?
Tapados pela boa música do costume, reconfortados pelo chá e tostas que aparecem sempre sem contarmos.
Esta chuva, este cinzento, só incomodam quando não estamos onde queríamos estar; quando não estamos com quem queríamos estar. E é sempre assim.
Esta chuva nada pode contra a gargalhada que nasce simplesmente de se estar naquele barraco. Com os tais amigos do coração.
Aqui onde eu estou não há gargalhadas.
E sinto-me terrivelmente sozinho.
Acho que me entendes.



A minha trip down memory lane do dia.
Digam lá se não vos traz uma lagrimazinha ao canto do olho?


Talking Heads - Número Zero




Uffa, tanta, tanta coisa para dizer de uma das bandas - ou mesmo A banda - mais influentes da década de oitenta.
Sim, é claramente uma das bandas/músicos no meu Top Five de sempre.
Sim, gosto de tudo o que fizeram, sem excepção. SEM EXCEPÇÂO!
Foram os reis do Nonsense-Pop - um conceito que eu acabei de inventar, mas que me parece fazer juz à carreira completamente louca da banda norte-americana - e volto a dizer, influenciaram várias gerações de músicos que lhe seguiram as pisadas - continuo convencidíssimo que há muito de Talking Heads na carreira de Beck, por exemplo.
Hoje, no Karmatoon, tem início uma semana dedicada aos senhores que roubaram o seu nome aos pivots dos noticiários americanos, conhecidos precisamente por... Talking Heads.
Boa viagem.
E acreditem, se tivesse paciência, enchia aqui páginas e páginas com informação acerca da banda e do seu lider incontestado, David Byrne. Mas sinceramente?
Não...


Karmabox - A Música Do Dia - Keziah Jones - "Beautiful Emily"




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Como vai ser o dia de hoje...

Vai ser frio como sei lá!
Acho que estou a chocar alguma, tenho «cinza» na garganta e uma dor aguda nos olhos. Nunca é bom sinal.
Tenho uma pequenina dor no coração, mas que é de fácil resolução e que nasce sempre no mesmo meu defeito. Segunda feira já não será nada.
Aqui no blog vai ser um dia animado.
Não por minha responsabilidade, que não ando inspirado ultimamente a escrever seja o que for - em parte culpa dos ensaios para uma nova peça que o TUP vai estrear e de que falarei aqui mais tarde -, mas por culpa de memórias que estou a planear deixar aqui para partilha.
Músicas, vídeos, livros, etc...
Vai ser um dia bom.

quinta-feira, novembro 16, 2006


É o meu primeiro carro a sério.
Ou melhor, é o primeiro carro que compro com o meu dinheiro.
Chama-se Sr. Kinder Pires, por razões que só a mim e a ele dizem respeito, e tenho a forte desconfiança que vai ser um bom amigo.
É quase igual ao da foto, mas é preto e apresenta uma muito chique lista azul lateral.
Não me perguntem a matricula, ainda nãoa sei de cor...

H. R. Giger




Sobre este senhor nem me vou atrever a dizer nada. É que embora não pareça, o homem é um dos artistas plásticos mais influentes do século XX. A sério, acreditem. Ok, o universo que se sentiu inspirado pelo seu trabalho pode não ser o mais convencional, mas...

Giger, suiço nado e criado, já fez de tudo. Da escultura à pintura, passando pelas instalações e arquitectura, até à criação do Alien himself e de todos os cenários do filme de 1980, Alien - O Oitavo passageiro - pelo qual venceu o Oscar para direcção artistica.
A sua carreira é tudo menos consensual. É polémico, provocatório, escandaloso e quase pornográfico. Mas é brilhante.
Acima de tudo, brilhante.

E sempre acabei por dizer qualquer coisinha...

Karmabox - A Música Do Dia - Suzanne Vega - "Caramel"


Acompanhou-me várias vezes, tarde à noite, no regresso da praia...
Da praia!?



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quarta-feira, novembro 15, 2006

Nao digam a ninguem...



Ó amigo Miguel, eu sei, bastava-me pôr um link para o teu blog para que todos que por cá passam pudessem ver o NOVO video do Senhor Tom Waits, mas o que queres, já sabes que o homem me toca fundo no coração...

Sim, meus queridos, esta semana tive a melhor noticia de sempre desde Domingo passado, o Enorma, o Magnifico, o Gigantesco Tom Waits acaba de lançar disquinho novo. Um não! TRÊS!!!
Três disco de uma assentada só. Chamam-se Orphans - Brawlers, Bawlers and bastards.

Este é o novo single, Lie To Me, a ouvir urgentemente porque é do caraças!


Meu dito, meu feito...

Quatro minutos de puro génio.


O meu analfabetismo informático fez com que este blog estivesse desmaiado demasiado tempo para o meu gosto.
Graças à querida Silvia, a tal, sem filtro, recuperei-o com um boca-a-boca milagroso.
E o regresso é celebrado com a inclusão de um link novo. Directamente para a minha vaidade. Ali na coluninha dos links têm um mosaico onde poderão clicar se quiserem ver as fotos que vou tirando por aí. Para já são poucas, mas em breve, com alguma dose de paciência, irão ser bastantes.
A abrir têm a oportunidade rara de me verem como vim ao mundo. Literalmente. Mas também, já o tinham visto aqui.
Sou um debochado...

Edgar Allan Poe


Outro dos meus heróis. Incondicional, este.
Cresci a devorar os seus livros Os contos, esses, li-os tantas vezes que já quase os sabia de cor.


Este é com toda a certeza um dos seus trabalhos mais conhecidos e mais revisitados, por vários universos, da banda desenhada ao cinema. De Tim Burton a Marylin Manson...
Existe inclusive uma brilhante versão incluida num episódio especial de Halloween dos Simpsons, na qual a portentosa voz de James Earl Jones - o Darth Vader da Guerra das Estrelas - declama este, já de si, arrepiante poema.
Vou tentar encontrar esse espisódio.
Entretanto...



Once upon a midnight dreary, while I pondered weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
`'Tis some visitor,' I muttered, `tapping at my chamber door -Only this, and nothing more.

'Ah, distinctly I remember it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow; - vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow - sorrow for the lost Lenore -
For the rare and radiant maiden whom the angels named Lenore -
Nameless here for evermore.

And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me - filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating
`'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door -
Some late visitor entreating entrance at my chamber door; -
This it is, and nothing more,'

Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
`Sir,' said I, `or Madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you' - here I opened wide the door;-
Darkness there, and nothing more.

Deep into that darkness peering, long I stood there wondering, fearing,
Doubting, dreaming dreams no mortal ever dared to dream before
But the silence was unbroken, and the darkness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word, `Lenore!
'This I whispered, and an echo murmured back the word, `Lenore!'
Merely this and nothing more.

Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping somewhat louder than before.
`Surely,' said I, `surely that is something at my window lattice;
Let me see then, what thereat is, and this mystery explore-
Let my heart be still a moment and this mystery explore; -
'Tis the wind and nothing more!

'Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately raven of the saintly days of yore.
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
But, with mien of lord or lady, perched above my chamber door-
Perched upon a bust of Pallas just above my chamber door-
Perched, and sat, and nothing more.

Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore,
`Though thy crest be shorn and shaven, thou,' I said, `art sure no craven.
Ghastly grim and ancient raven wandering from the nightly shore-
Tell me what thy lordly name is on the Night's Plutonian shore!
'Quoth the raven, `Nevermore.'

Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning - little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blessed with seeing bird above his chamber door-
Bird or beast above the sculptured bust above his chamber door,
With such name as `Nevermore.'

But the raven, sitting lonely on the placid bust, spoke only,
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing further then he uttered - not a feather then he fluttered-
Till I scarcely more than muttered `Other friends have flown before -
On the morrow will he leave me, as my hopes have flown before.
'Then the bird said, `Nevermore.'

Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
`Doubtless,' said I, `what it utters is its only stock and store,
Caught from some unhappy master whom unmerciful disaster
Followed fast and followed faster till his songs one burden bore -
Till the dirges of his hope that melancholy burden bore
Of "Never-nevermore."

'But the raven still beguiling all my sad soul into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird and bust and door;
Then, upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore -
What this grim, ungainly, gaunt, and ominous bird of yore
Meant in croaking `Nevermore.'

This I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl whose fiery eyes now burned into my bosom's core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion's velvet lining that the lamp-light gloated o'er,
But whose velvet violet lining with the lamp-light gloating o'er,
She shall press, ah, nevermore!

Then, methought, the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by Seraphim whose foot-falls tinkled on the tufted floor.
`Wretch,' I cried, `thy God hath lent thee - by these angels he has sent thee
Respite - respite and nepenthe from thy memories of Lenore!
Quaff, oh quaff this kind nepenthe, and forget this lost Lenore!'
Quoth the raven, `Nevermore.'`

Prophet!' said I, `thing of evil! - prophet still, if bird or devil! -
Whether tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate yet all undaunted, on this desert land enchanted -
On this home by horror haunted - tell me truly, I implore -
Is there - is there balm in Gilead? - tell me - tell me, I implore!'
Quoth the raven, `Nevermore.'

`Prophet!' said I, `thing of evil! - prophet still, if bird or devil!
By that Heaven that bends above us - by that God we both adore -
Tell this soul with sorrow laden if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden whom the angels named Lenore -
Clasp a rare and radiant maiden, whom the angels named Lenore?'
Quoth the raven, `Nevermore.'

`Be that word our sign of parting, bird or fiend!' I shrieked upstarting -
`Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul hath spoken!
Leave my loneliness unbroken! - quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!'
Quoth the raven, `Nevermore.'

And the raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming,
And the lamp-light o'er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted - nevermore!


Edgar Allan Poe (1845)


Se quiserem, podem tentar perceber a inúmera quantidade de símbolos e significados escondido neste poema. É só clicar...


Ontem adormeci a a pensar na forma como as pessoas se entregam ás relações.
De amor, pois claro.
Parece-me óbvio que existem dois tipos de entrega distintos. A entrega total, sem travões, sem regras de qualquer espécie, independentemente da(s) experiencia(s) passada(s); e a entrega parcial, a medo, sem total confiança no que se está a criar, motivada por más experiências. Com precaução.

As primeiras pessoas deixam-se envolver pelo que sentem. Não param para pensar e andam para a frente como se aquela relação fosse a única que vão querer ter pelo resto da vida fora. Dedicam-se, entregam-se, expõem-se, dão-se, sempre da mesma forma, sempre sem racionalizar, sem medos. Sonham, fazem planos, de repente já casaram, já têm filhos, dois, um casal, nome para o menino e para a menina, pensam nos desenhos que vão pintar nas paredes do quarto dos miúdos, quero-te levar áquele local tão especial para mim, sem se aperceberem que provavelmente estão sozinhos nesse sonho - bom, não haja dúvida...

Porque do outro lado podem estar pessoas que têm calma com estas coisas do amor. Se é que ainda acreditam numa coisa dessas.
Pessoas que vêm o amor e as relações amorosas como se estivessem em cima de uma montanha e essas coisas fossem o vale lá em baixo. Vêm-nas melhor e mais claramente do que todas as outras. Sabem de antemão que aquela relação não é A relação. Sabem com toda a certeza do mundo que há de ter um fim, há de acabar por acabar. Não são frias, ou indiferentes. Sabem é muito bem o que querem daquilo, o que querem reter daquela relação, daquela pessoa.

Provavelmente ando a ver muito Sexo e a Cidade...
Mas sempre pensei nisto desta forma, e cheguei mesmo a pensar que provavelmente teria de treinar para ficar assim, mais consciente e racional em relação ás coisas do amor. Mas...
Acho que não quero.
Na entrega que coloco nas minhas coisas do amor encontro o prazer máximo que se pode retirar de um processo destes. Na forma como me entrego e como procuro agradar a pessoa que amo, descubro-me mais um bocadinho, eu, que nunca me dediquei assim lá muito a pensar como sou, como funciono.
E fico a saber o que se sente quando nos colocam uma mão no pescoço, à socapa. Ao que sabe um beijo no ombro ao acordar. A sensação que é espreitarem-nos enquanto tomamos banho, ficarem do lado de lá da cortina, só para conversar. Conheço o formigueiro na barriga produzido por uma palavra picante sugerida ao ouvido, mais pertinho era impossivel. Descubro o prazer de fazer amor num abraço, e sei que essa sensação é a melhor do mundo, porque a dou e percebo a reacção. Sei, porque o sinto, como deve ser bom sabermos que a qualquer momento vão entrar pela porta com a maior alegria do mundo num sorriso. A alegria de sentirmos que toda aquela saudade é amor. Puro.

E tenho medo, sempre, de perder tudo isto.
E claro, penso em como será o mundo lá fora depois de ficar sem tudo isto.
Para lá deste quarto, para lá daquela janela. Noutras ruas que não estas.
E concluo que é melhor não pensar nisso, virar-me para o lado, e enroscar-me mais um bocadinho.
Ainda faltam dez minutos para o despertador entrar.

Karmabox - A Música Do Dia - Federico Aubele - "Postales"

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segunda-feira, novembro 13, 2006



Já posso dizer com toda a certeza do mundo que está é, para mim, a música do ano.
Sempre que a ouço na rádio congelo e deixo tudo o que estou a fazer para mais tarde. Para daí a três minutos, mais coisa, menos coisa.
E sempre que a ouço, lembro-me de ti. É inevitável.
Agora que consegui a letra, não descanso enquanto não deixar aqui a música.


Que hei-de eu fazer
Eu tão nova e desamparada
Quando o amor
Me entra de repente
P´la porta da frente
E fica a porta escancarada

Vou-te dizer
A luz começou em frestas
Se fores a ver
Enquanto assim durares
Se fores amada e amares
Dirás sempre palavras destas

P´ra te ter
P´ra que de mim não te zangues
Eu vou-te dar
A pele, o meu cetim
Coração carmesim
As carnes e com elas sangues
Às vezes o amor

No calendário, noutro mês, é dor,
é cego e surdo e mudo

E o dia tão diário disso tudo

E se um dia a razão
Fria e negra do destino
Deitar mão
À porta, à luz aberta
Que te deixe liberta
E do pássaro se ouça o trino

Por te querer
Vou abrir em mim dois espaços
P´ra te dar
Enredo ao folhetim
A flor ao teu jardim
As pernas e com elas braços

Às vezes o amor
No calendário, noutro mês, é dor,
É cego e surdo e mudo

E o dia tão diário disso tudo

Mas se tudo tem fim
Porquê dar a um amor guarida
Mesmo assim
Dá princípio ao começo
Se morreres só te peço
Da morte volta sempre em vida

Às vezes o amor
No calendário, noutro mês é dor,
É cego e surdo e mudo
E o dia tão diário disso tudo

Da morte volta sempre em vida

Sérgio Godinho

Começar a Acabar


Foi ontem.
Fui à Academia Contemporânea do Espectáculo assistir ao monumental monólogo criado a partir de textos de Samuel Beckett e levado ao palco por um João Lagarto a todos os niveis soberbo.
Começar a Acabar é absolutamente delicioso, uma pérola para um actor destes, que soube muito bem como pegar na personagem, como trabalhá-la e, acima de tudo, como respirá-la. Está tudo na respiração entre as palavras.
As palavras são incríveis, o universo de Beckett, como sempre, impar, e o actor - não me canso de o destacar -, fenomenal. Com tempo para tudo, até para um pequeno, mas importante, improviso à volta de um avião que passava no céu, mas no verdadeiro, no de lá de fora.
Merece o máximo de público possivel. Pela riqueza - economizada - do trabalho, e pelo actor. Sempre pelo actor.
Aos interessados importa ainda referir as duas canções da autoria de Jorge Palma que, em diferentes alturas, se ouvem na voz de João Lagarto.
A peça está em cena no auditório da
Academia até 19 de Novembro.
Vão ver!


"O fim está no princípio, e mesmo assim proseguimos..."

Obrigado, ó Zé Nuno...