kar(ma)toon

Bom Karma... ou não!

sábado, julho 10, 2010

A CHATICE

E eis-nos chegados ao último fim-de-semana do mundial de futebol. Depois de tanto jogo, tanto futebol e tanta (mais ou menos) surpresa, chegamos aos dois dias em que se decide quem é o melhor do mundo, o quase melhor e aqueles que poderiam ter sido mas azar.

Hoje jogam duas das selecções que demonstraram o futebol mais entusiasmante, Alemanha e Uruguai. Um futebol vertical, completamente apontado à baliza adversária, solto, escorreito, livre e um pouco louco, no caso dos sul-americanos. Como escreveu aqui há umas semanas um famoso cronista um futebol como o que se fazia no antigamente. Infelizmente - e ironicamente, no caso da Alemanha - estas duas equipas vão disputar o terceiro e quarto lugares.

E por causa das duas equipas que os eliminaram, Espanha e Holanda, campeãs do futebol-seca, totalmente lateral, nada dirigido à baliza, feito de milhares de passes sem outro objectivo que não seja o de manter a posse de bola. Como os putos reguilas que quando jogam à bola no recreio não a passam a ninguém e jogam sozinhos, não se limitando a jogar contra a equipa adversária.

Com certeza, gabe-se a capacidade sobrenatural que ambas têm de não perder a bola se assim não o quiserem; admire-se a qualidade do passe, milimétrico e sempre certeiro; no entanto, critique-se a absoluta falta de vontade de jogar um futebol bonito, espectacular, emotivo e que faz vibrar a «malta lá em casa». Um golo por jogo, às vezes dois mas só se o adversário tiver marcado um e a coisa estiver empatada.

Digam o que disseram, que o futebol-espectáculo não foi a lado nenhum neste mundial, que as equipas mais entusiasmantes ficaram pelo caminho e que a táctica do carrossel é que é. Para mim este mundial foi feito de México, Gana, Alemanha e Uruguai; equipas que procuram, à sua maneira, o golo. Que usam de energia, rapidez e poder físico para fazer o que lhes compete e perseguir um objectivo: ganhar.

O jogo de amanhã, dificilmente será um jogo de golos. 1-0, 2-1 ou algo do género e pronto, tá a andar para levantar o caneco. Assistir a um jogo destas equipas é como estar à espera que a banheira encha para tomar um bom banho de imersão: de cada vez que olhamos para lá parece que o nível da água não subiu um dedo que seja. Porque é assim que Espanha e Holanda jogam. Vão subindo, subindo, sempre lateralizando, claro, mas subindo, devagarinho. Uma seca.