kar(ma)toon

Bom Karma... ou não!

quinta-feira, abril 03, 2008



A comparação parece-me acertada: queixarmo-nos constantemente de que não trabalhamos onde devíamos, de que não fazemos o que mais gostamos ou que não aproveitamos as nossas verdadeiras capacidades, assemelha-se um pouco àquela situação tantas vezes vista no cinema: um indivíduo é preso e reclama a sua inocência, afirmando ser tudo um tremendo erro, um engano, um mal entendido. A resposta dos colegas de prisão é sempre a mesma, "isso é o que todos dizem".

Durante anos, para além de realmente não trabalhar onde queria e gostava, nunca dei grande uso às minhas capacidades. Mais do que isso, tinha capacidades (aparentemente) que desconhecia. Uma delas foi-me «sacada» a ferros por um amigo, o Marco, com quem viria a trabalhar na saudosa Região Estrangeira. Ele estava convencido de que havia de me obrigar a subir a um palco para fazer comédia. A esforço lá conseguiu. Foi o despoletar de uma paixão, o teatro, que só mais duas pessoas haveriam de compreender e apoiar - para além da minha mãe, claro. E apoiar de uma forma que muitas vezes ainda me parece exagerada. O Carlos Moura continua a acreditar que tenho qualquer coisa na qual nem eu acredito totalmente; a Bárbara convence-me todos os dias de que sou capaz. De tudo.

Ironicamente, mais importante do que este apoio constante e carinhoso dos meus amigos, foi o lado oposto da questão. Radicalmente oposto, diria. Durante dois anos não tive este tipo de apoio da pessoa que, na altura, mais me deveria ter compreendido. A completa falta de interesse e um total não querer saber demonstrados durante os primeiros anos da Região, foram decisivos para eu perceber que assim realmente nunca poderia continuar. Na verdade, isso foi o princípio de uma enorme mudança na minha vida. A maior mudança da minha vida. Não só no teatro, mas principalmente no conseguir acordar novamente para a vida e para um sem número de coisas que tinha deixado de fazer. Concluo agora - mas sem grandes dramatismos - que desperdicei alguns anos numa existência que me parece hoje tão distante, que mais se assemelha a uma realidade alternativa.

Hoje em dia continuo a receber um forte, diário e decisivo apoio da Bárbara, que continua a convencer-me de que sou capaz de fazer qualquer coisa. Uma delas, ainda esta semana, acabou por se tornar, contra todas as minhas mais optimistas expectativas, um dos momentos mais agradáveis e importantes da minha vida. Não posso ainda falar abertamente dele por motivo de sigilo profissional - eu sei, parece cagança... -, mas garanto-vos, estou tão surpreendido com todo o processo que nem consigo sentir-me como deveria estar: aos pulos de alegria. Não sei, nem consigo ainda perceber, se o resultado de um dia de trabalho ficou realmente bom ou não. As opiniões dos que trabalharam comigo são magníficas, mas ainda assim, continuo sem estar totalmente convencido. De duas coisas tenho a certeza absoluta: foi uma experiência verdadeiramente excepcional e paga-me, desde já, uma viagem à India. Nem mais, nem menos.

O resultado do tal processo - um dia de trabalho, basicamente - vai andar por aí já a partir da próxima segunda feira, e o nervoso miudinho começa rapidamente a ganhar proporções hercúleas.
Seja como for, o meu mais sincero agradecimento aos quatro acima mencionados. A sério.

1 Comments:

  • At 00:04, Anonymous Manuel Alves said…

    Ainda bem que ainda não podes dizer o que é. Lá se vai o nosso sossego à hora d'almoço, etc, etc. Vai em frente, nós estaremos por trás a empurrar (acho que esta frase não fica muito bem, mas não sei "deletar"). Congratuleixans, kisses.

     

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