kar(ma)toon

Bom Karma... ou não!

sábado, agosto 18, 2007

Há uma cena em Ratatouille, em que assistimos ao primeiro diálogo entre o rato Remy e o humano Linguini, tentando perceber que o que acabou de ver na cozinha do restaurante onde trabalha - um rato, mestre na arte de bem cozinhar, fazer uma sopa de sonho -, não é fruto da sua imaginação.
A sequência é notável a todos os níveis. Remy é levado até até à margem do Sena para ser lançado ao rio, depois de ter aterrorizado o histérico chefe de uma cozinha de um restaurante de luxo em Paris. Mas a idéia de Linguini, incapaz de cozer um ovo que seja, é fazer um acordo com o inesperado mini-chefe - que não vou aqui explicar, até porque é mesmo melhor ver o filme se compreender tão estranha parceria. O rato concorda com o acordo, mas foge imediatamente assim que se vê fora do frasco onde estava apriosionado. Mas mesmo um rato de esgoto tem consciência, e a de Remy - em conjunto com uma irresistível vontade de ser chefe de um restaurante - força-o a repensar a sua fuga e obriga-o a voltar atrás e cumprir o acordo com o humano. Nessa altura, em que ouvimos com Linguini as patinhas de Remy no paralelo do túnel na margem do rio Sena, em Paris, pensei para com os meus botões: "estou a ver um dos melhores filmes de toda a minha vida". E estava. E vi.
E sim, Rataouille é um dos melhores filmes que já vi até hoje. E não me estou a referir somente a filmes de animação - nesse campo, bate a concorrência, recente e mais antiga, por uma margem incalculável. Nunca o cinema de animação tinha ido tão longe. Nunca um filme animado tinha concentrado tanta informação. Tanta, que se torna virtualmente impossível reparar em todos os pormenores. Cada segundo de filme em Ratatouille transporta mais informação visual do que todos os filmes da Pixar juntos.
E sim, desisto desde já de tentar falar de Ratatouille aqui. Seria impossivel. Posso fazer referência aos personagens, todos eles, do melhor saído das maravilhosas cabecinhas das gentes da Pixar. Posso, sem dúvida alguma afirmar que nunca tinha visto um desenho animado com um tão grande cuidado na iluminação e na fotografia, chegando mesmo, em algumas situações, a dar a idéia de que estamos a ver um filme de animação de volumes - muito ao estilo de Tim Burton -, e não um filme de animação digital. Posso falar da magnífica sequência em que vemos Remy tentando fugir dos obstáculos e perigos que uma cozinha pode oferecer a uma simples rato; das aulas de nouvelle cuisine que os animadores tiveram para compreenderem como se fazem aqueles pratos e que aspecto devem ter, de modo a poderem passar essa informação - mais uma - para o grande ecrã.
Da mesma forma que sou obrigado, como é óbvio, a mencionar o incrível e sólido argumento, que conjuga o típico humor da Pixar, com um sentido equilibradíssimo de dramaturgia e com uma fortíssima mensagem moral - como não podia deixar de ser.
Ratatouille afasta-se ainda mais do cinema infantil, como já o havia feito The Incredibles, e como não o tinha feito Cars - aliás, o único passo em falso do estúdio americano -, e põe um pesado e enorme ponto final na tentativa fútil dos outros estúdios tentarem concorrer com a Pixar. Depois de Ratatouille, não existem outros estúdios de cinema de animação!!!
E...
E enfim, tento acalmar os pensamentos e as imagens que tenho na cabeça para os poder verbalizar e não consigo. Como já disse, é demasiada informação em apenas 120 minutos de filme. Só mesmo indo ver.
Mas garanto-vos, não vão ver um filme melhor que este, nas salas de cinema este ano.
E de repente, e como já havia acontecido na minha vida com Apocalipse Now e Seven, a minha idéia de cinema volta a sofrer um abanão.

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4 Comments:

  • At 01:18, Anonymous pinkpoetrysoul said…

    ADORO ADORO ADORO ADORO ADORO O RATATOUILLE!!

     
  • At 22:12, Blogger João Montenegro said…

    Este comentário foi removido pelo autor.

     
  • At 22:13, Blogger João Montenegro said…

    Nao podia concordar mais com tudo o que disseste aqui!

     
  • At 12:31, Blogger S. said…

    Já vi duas vezes duas, e vou ver a terceira.
    É, de facto, o melhor filme de animação de sempre. Tecnicamente sublime.

     

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