kar(ma)toon

Bom Karma... ou não!

sexta-feira, agosto 05, 2005

Acerca dos incêndios...


E que tal se pegássemos nos caçadores, habitualmente inúteis de merda que passam o ano dedicados a ser uns inúteis de merda, e os incumbíssemos de guardar as mesmas florestas que eles usam para poderem ser, exactamente isso, uns inúteis de merda? Isso mesmo, milícias anti-incendiários! Pessoal especializado, bem equipado, com experiência no terreno que matásse tudo o que transportásse material indicado para se ser um bom incendiário! Que à mínima suspeita encaixássem um tiro certeiro em:
hipótese A - cabeça do indivíduo incendiário;
hipótese B - nos testículos do mesmo;
hipótese C - no invólucro contendo material combustível transportado pelo suspeito, o que faria com que o mesmo ardesse juntamente com os seus amiguinhos pinheiros.
De seguida, o suspeito seria exposto em praça pública, servindo como exemplo para todos aqueles que algum dia pensaram sequer em fumar um cigarrito numa mata depois do piquenique saloio com os sogros. E então íamos ver que efeitos essa acção surtiria neste flagelo nacional que são os incêndios de Verão em Portugal.

E apesar de ter a consciência de que nada, ou quase nada, podemos nós, simples cidadãos, fazer para combater este problema, considero de vital importância algo que está ao alcance de todos: não nos esquecermos de que a nossa casa continua a ser o paraíso para onde regressamos ao fim de um dia de trabalho, mas que no resto do país - quase na totalidade do país - a realidade é violentamente diferente. A falta de contacto com o problema - chamemos-lhe «monstro» - distancia-nos também do sofrimento, da dor e da angústia daqueles que tentam com todas as forças fazer frente a uma força da natureza, mas que não é provocada pela natureza, de modo a manter tudo o que têm na vida.
Não nos esquecermos - e sem querer cair no habitual discurso do coitadinho - dos que, mesmo sem meios, lutam todos os dias e durante todo o Verão, para tentar o aparentemente impossível: os bombeiros, que muitas vezes dormem duas horas num passeio duma qualquer rua, para de seguida voltarem para algo onde nenhum de nós estaria nem por todo o dinheiro do mundo; os bombeiros que muitas das vezes em t-shirt ou camisa e sem qualquer protecção de maior, enfrentam o «monstro», quando seria bem mais fácil - e quem poderia censurá-los - desistir e desmaiar de cansaço. Basta compararem o aspecto de um bombeiro português, a sua farda, o seu capacete, as suas botas, a ausência de luvas de protecção, com um bombeiro, por exemplo, espanhol.
Por favor, se não puderem fazer mais, ao menos não façam de conta que o que se está a passar no quintal do vosso vizinho... não se está a passar.