kar(ma)toon

Bom Karma... ou não!

segunda-feira, agosto 25, 2008

É MERECIDO

Este blog está de férias na Zambujeira do Mar. Durante esta semana não fará mais nada a não ser praia, relax e boa comidinha. Na semana seguinte ainda não sabe onde vai, mas vai-se manter fora do Porto, isso é certo.
Quando voltar tem muito para contar, a começar pelo melhor filme do ano e por um dos melhores filmes de super-heróis desta época, ainda por ver.
Vai ter fotos das férias e coisas assim, por isso, até daqui a duas semanas.

sexta-feira, agosto 22, 2008

O NOSSO MENINO É DE OURO



Entretanto, e para contrariar por completo o triste rumo dos acontecimentos, o rapaz Évora lá conquistou a medalha de ouro em triplo salto. Ou seja, neste momento temos o título olímpico e mundial da modalidade, o que não é coisa de somenos. Fico contente com esta medalha; o miúdo merece-a inteiramente, não só por ser um trabalhador incrível – a consecutiva melhoria das suas marcas demonstra-o, e o interesse dos americanos também –, como igualmente por ser um atleta simpático e anormalmente humilde. O mais recente episódio conta-nos como Évora pediu à sua namorada em Lisboa que fizesse chegar à comitiva olímpica uma palmilha, destinada a um seu concorrente, o cubano Arnie Girat, lesionado num pé.
É deste material que se constroem os verdadeiros heróis dos Jogos Olímpicos. Atletas que alcançam os seus melhores resultados, sem perderem a alegria e conquistando a empatia do público.
A única contra-indicação resultante desta medalha, é a triste figura do Comandante José Vicente Moura, presidente do COP, que tinha anunciado a sua retirada por causa da má prestação da comitiva portuguesa, e que, face às medalhas de Vanessa Fernandes e de Nelson Évora, vem agora, armado em salvador da nação, afirmar a sua continuidade à frente do Comité desde que fortemente apoiado.A mim parece-me razão suficiente para agradecer a amabilidade e a disponibilidade do sôr Vicente, mas para lhe pedir também que não se apoquente, e que cumpra o que anunciou tão acaloradamente, que nós por cá resolvemos a coisa. adeuzinho, sim? Vá descansar que já não tem idade para estas coisas.

quarta-feira, agosto 20, 2008

TÁ BONITO...

Sempre achei (e continuo a achar) que, no que a competições desportivas internacionais diz respeito, sempre fomos um bocadinho histéricos. Fazemos sempre um enorme alvoroço, prometemos resultados, dizemos que somos os maiores e inclusive homenageamos os atletas antes sequer deles partirem para a dita competição. Esquecemo-nos, porém, de tentar perceber se os homens e/ou mulheres que vão defender as cores da nossa bandeira - sim, porque nestas coisas a bandeira é sempre chamada ao barulho, de modo a lembrar a todos os intervenientes a importância da sua contribuição para a causa nacionalista - valem realmente um centavo. E não valem. Ponto final. Não valem um centavo da maior parte dos seus oponentes. E não valem porque pura e simplesmente não gozam das mesmas condições de trabalho, não são pagos da mesma forma e, obviamente, não têm nem a mesma motivação, nem os mesmos objectivos. Os objectivos são atribuidos aos atletas numa primeira fase pelos media, sedentos de vender jornais com a antecipação do fantástico sucesso que aí vem, e maravilhados com a hipótese de venderem ainda mais com as notícias das desilusões e os escândalos das derrotas. O povinho embarca nesta onda fabricada de euforia, e os atletas, naturalmente, não têm nem tempo nem a coragem de dizer "bem, se calhar não somos assim tão bons, tenham lá calma".
Convém lembrar as massas que apenas (menos de) um terço dos 77 atletas que compõem a comitiva portuguesa é profissional da coisa, enquanto que os restantes fazem o que fazem em part-time e/ou são estudantes. Para os olímpicos amadores as condições de treino não são nem pouco ou mais menos as mesmas de que gozam os seus colegas profissionais, e isso faz toda a diferença.

Sejamos honestos, da comitiva de 77 atletas que nos foram representar a Pequim, quais é que tinham reais hipóteses de ganhar uma medalha? Nélson Évora, porque é o campeão mundial do triplo salto; Naide Gomes, campeã do salto em comprimento em pista coberta; Gustavo Lima, por ser campeão mundial de vela na sua classe; Vanessa Fernandes, porque é campeã de tudo e mais alguma coisa no triatlo. Os restantes intervenientes, por muito bons que sejam, e por muito bons que tenham sido os seus resultados ao longo de um ano de competição, ficam muito longe do nível destes quatro, e a hipótese real de vencerem uma medalha é no mínimo fraquita. E mais uma vez, se não fossem os media, nenhum destes desportistas prometeria qualquer resultado; levados pela euforia fabricada em torno desta ida a Pequim, foram incapazes de acalmar os ânimos e ainda conseguiram piorar as coisas, proferindo afirmações capazes de envergonhar o mais puro dos desbocados.
Do tipo que disse que de manhã é para estar "na caminha", ao desgraçado que se desculpou assumindo ter ficado bloqueado pelo ambiente do estádio olímpico; da infeliz que disse "não sou talhada para este tipo de competições" à anormal que nem sequer quis participar na eliminatória dos 5000 metros devido ao facto da concorrência africana "ser muito forte", várias foram as pérolas de estupidez súbita saídas das boquinhas dos nossos incapazes atletas. Nessa área, a medalha de ouro vai direitinha para a Judoca Telma Fernandes, a primeira atleta na história de todas as modalidades que não o futebol, a ser capaz de atribuir a culpa da sua derrota ao árbitro.
Mais uma vez, nenhum destes atletas tinha a obrigação de trazer para Portugal uma medalhita que fosse; tinha a obrigação, isso sim, de participar, esforçando-se a obter o melhor resultado possível, com orgulho indisfarçado e, acima de tudo, de boquinha fechada. E lembrando-se constantemente de que os Jogos Olímpicos foram criados também com o objectivo de criar igualdade entre todos os atletas participantes. Se assim não fosse, nenhum oponente dos extraterrestres Michael Phelpps ou Usain Bolt se atreveria sequer a alinhar nas respectivas provas, ficando em casa sob o pretexto de que a concorrência era demasiado forte. O principal interesse dos jogos é essa mesmo, providenciar a todos os atletas que atingem os MÍNIMOS a participação no maior acontecimento desportivo do mundo. Com orgulho e felicidade, digo eu.
Quanto à piadinha da causa nacionalista ali em cima...
É o velho problema de Portugal fazer tudo por tudo para ser visto; para fazer parte do grupo dos fixes; para as pessoas pensarem que também é dos mais populares lá da escola. Aquela coisa de estarmos sempre a perguntar aos famosos internacionais se gostam muito do nosso país, se já provaram o bacalhau, se já foram a Sintra, e que é pura e simplesmente a maior prova do nosso nacional parolismo. Com as vitórias desportivas é exactamente a mesma coisa, queremos à fina força ouvir os outros dizer que somos os maiores. E não somos. O FCP anda há décadas a provar ao mundo que é um dos melhores clubes da Europa e ainda assim não é visto por esses tais grandes clubes da Europa como tal. Está ao nível dos gregos e turcos, normlmente os chatos de serviço.
Somos pequeninos e pronto. De certeza que ninguém em St. Kitts and Nevis vai fazer um alarido do caraças pelas medalhas que os seus atletas não conquistaram...

quarta-feira, agosto 13, 2008

TROPIC THUNDER


Confesso que não estava à espera de ver este a estrear por cá. A primeira vez que vi um dos trailers disponíveis, fiquei convencido de que se tratava de mais um mockumentary ao bom estilo americano. Afinal é uma super produção, realizada por Ben Stiller, com um elenco luxuoso - Ben Stiller, Jack Black, Robert Downey Jr., Matthew McConaughey, Nick Nolte e muitos outros ilustres a fazerem deles próprios - e escrita por um dos irmãos Cohen, Ethan.
A história passa-se durante as filmagens de um épico sobre a guerra do Vietname e de como as coisas podem subitamente correr muito mal.
Ben Stiller já provou ser um razoável realizador e que normalmente foge ao tipo de comédias que costuma interpretar.
Tudo promete, especialmente a idéia de ver Robert Downey Jr. a fazer de conta que é preto...



BLAH, BLAH, BLARGH!


A cerimónia de abertura das olimpíadas em Pequim, da responsabilidade do realizador Zhang Yimou, foi vista por uns impressionantes 15% da população mundial, o que lhe concede de imediato o espectáculo mais visto de sempre na história da humanidade. Para além disso, deve ter sido o melhor espectáculo que já vi. E nem me vou dar ao trabalho de o tentar descrever ou sequer adjectivar, foi uma daquelas coisas únicas e que é obrigatório ver para compreender tudo o que representa.
No entanto, na melhor seda chinesa cai a nódoa de Chop Soi de porco, e começam agora a surgir revelações interessantes que mostram que alguns detalhes desta cerimónia poderão ter sido... «trabalhados». As fantásticas sequências aéreas do fogo-de-artifício em vários pontos da cidade de Pequim são falsas; segundo fontes oficiais (sempre quis dizer isto), as imagens terão sido criadas digitalmente, e com a intenção de embelezar a transmissão televisiva.
Para além disso, a mocita que a dada altura encantou o povo com o seu trinado (Lin Miaoke) afinal só lá estava porque a verdadeira proprietária da voz (Yang Peiyi) não tinha cara para aparecer na televisão. Assim, em vez do governo chinês matar toda a sua família e perder mais uns meses à procura de outra cantora infantil em orfanatos e refúgios, optou pela solução do marketing e foi à procura de uma carinha laroca para condizer com a angelical vozinha. Sinceramente não percebo a polémica; em décadas de cerimónias do género, inúmeros foram os cantores, mais ou menos famosos, em pleno exercício de karaoke. Esta, pelo menos, fez um playback bastante profissional, e soube desfilar uma panóplia de expressões fofinhas e queriduchas, tão ao gosto dos camaradas chineses.

E depois temos Michael Phelps. Ainda não alcançou o objectivo com que chegou a Pequim - ou seja, bater o mítico recorde de Mark Spitz, que em 1972, em Munique, conquistou sete medalhas de ouro - mas a verdade é que não só já se tornou no atleta mais medalhado da história dos jogos olímpicos (11 medalhas de ouro e 2 de prata) como se arrisca severamente a ultrapassar a marca de 33 recordes mundiais, também pertença de Spitz. Até agora Phelps já bateu recordes mundiais por trinta vezes, e é o actual detentor da melhor marca mundial em seis eventos - 100 metros livres e mariposa, 200 e 400 metros estilos, e as estafetas de 100 e 200 metros. Destas seis marcas, cinco foram conseguidas nestes jogos olímpicos, o que diz muito da vontade que o jovem americano tem de colocar o seu nome na história da natação. Como se fosse realmente preciso fazer ainda mais...

Entretanto, e para cúmulo da ironia, uma das finais de tiro com pistola destes jogos, foi disputada entre uma atleta da Georgia e uma da Rússia. Felizmente as senhoras eram civilizadas - coisa que os seus respectivos governos não são - e em vez de se esquecerem dos alvos e desatarem à chumbada uma à outra, abraçaram-se e mostraram que a política ainda pode (e deve) ficar afastada do desporto. E da maior parte das coisas da vida social, já agora.
Uma coisa que fica deste estúpido e ridículo conflito no Cáucaso, para lá de toda a falta de sentido e necessidade que o envolvem, é a impressionante rapidez com que duas nações erguem exércitos já preparadíssimos para uma guerra. Em poucas horas tanques, aviões, navios, mísseis e soldados estavam totalmente instalados e prontos a disparar. Assustador.

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terça-feira, agosto 12, 2008

ISAAC HAYES


Dois posts seguidos dedicados à morte de artistas deve ser coisa só ao alcance de um proprietário de um site com finados famosos.

Isaac Hayes era o compositor e a voz da magnífica banda sonora do filme "Shaft", com que conquistaria o Oscar para a melhor canção original, e senhor de uma carreira de 40 anos sempre ligada ao Soul e ao Funky. As suas músicas ficarão para sempre associadas ao sub-género cinematográfico a que se decidiu chamar blaxploitation, e o homem influenciou um sem número de gente de uma forma inimaginável. Ultimamente, e graças à personagem a que deu voz na série South Park, Chef, tornou-se também conhecido junto do público mais desatento a estas coisas da boa música.

Deixa-nos aos 65 anos quando estava a preparar o primeiro álbum de originais depois de uma paragem de quase 13 anos.








domingo, agosto 10, 2008

BERNIE MAC

Bernard Jeffrey McCullough tinha 51 anos e uma carreira feita de stand up, séries de televisão e cinema. Mais recentemente tornou-se mais popular unto do grande público pelas suas participações em "Ocean's Twelve" e em "Charlie's Angels", filmes que fizeram renascer o interesse pelo seu trabalho. Morreu vítima de uma pneumonia.



sexta-feira, agosto 08, 2008

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

Agora também vamos poder ter imagens destas naqueles programas espectaculares que nos enchem os olhinhos com perseguições de automóvel, tiroteios incríveis, cenas de pancadaria e um infindável número de situações entre polícias e ladrões. Até ontem, só as podíamos ver vindas dos EUA, agora demos início à nossa própria produção. E fizemos a coisa bem feitinha, ainda por cima. Só ficámos atrás dos brasileiros no que a esta matéria diz respeito, porque no Brasil o segundo homem a entrar logo a seguir ao primeiro policial seria um operador de câmara. Assim sim, assim o espectáculo seria perfeito.

A falar a sério, e para responder a várias pessoas que já me fizeram a mesma pergunta, posso dizer que é terrivel que tenha morrido uma pessoa no desenrolar da acção policial que terminou com um sequestro de mais de oito horas. No entanto, não acredito que um agente da polícia envolvido numa situação destas se possa dar ao luxo de acreditar que as ameaças dos sequestradores não sejam mais do que um eficaz bluff. Nesse sentido, considero que o que a polícia fez ontem à noite à porta de uma dependência do BES acaba por ser um mal necessário. Por muito chocante que isto possa soar.

Como chocante foi (mais uma vez) o comportamento dos canais televisivos - SIC e TVI, diga-se - que cobriram o desenrolar dos acontecimentos. A SIC, durante o seu jornal em horário nobre, mantinha uma pequena janela no canto inferior direito do ecrã, onde podíamos acompanhar o que se ia passando no local. O mesmo é dizer, absolutamente nada. Câmara fixa, imagem pouco esclarecedora, e agentes do corpo de intervenção da PSP estáticos. Mais nada. E o melhor ainda estava para vir. A última meia hora deste triste episódio foi acompanhada em directo pelos dois canais concorrentes, e foi lindo ouvir a conversa fiada que pivot e repórteres tiveram de inventar pura e simplesmente para encher um enorme chouriço de 30 minutos. Frases ridículas, desprovidas de qualquer interesse, que não adiantavam nada ao que se estava a passar, mas que em contrapartida divertiam quem em casa tentava perceber até onde aquela palhaçada televisiva ia chegar. Ao ponto de um dos envolvidos na transmissão - já não sei se da SIC ou da TVI - ter afirmado não se saber porque estavam aqueles homens a roubar o banco...

Após a trágica conclusão, a coisa ainda conseguiu melhorar, já que enquanto a TVI afirmava que ambos os assaltantes tinham sido abatidos, a SIC continuava a dizer que a PSP ainda não tinha conseguido evacuar os dois homens e que estes, provavelmente, estariam feridos. E depois, mais frases brilhantes, como uma da jornalista da SIC que achou importante comunicar ao país que dois elementos dos GOE tinham vindo ao carro buscar um saco e que ela não conseguia descortinar o que continha esse saco.

Tanto aparato, tanto comentário imberbe e insoso, e no fim a única
imagem realmente esclarecedora do que se passou ontem à noite, foi recolhida pelo telemóvel de um transeunte que estava ali perto a ver como as coisas corriam, o que de certa forma vem provar que cada vez mais os verdadeiros furos jornalísticos estão ao alcance do povo, e não da máquina da imprensa.

Conclusão: continuamos a ser os parolos deslumbrados com tudo o que é novidade, mas sem saberem muito bem o que lhe fazerem assim que lhes surge à frente. A única excepção neste particular são os extra-terrestres; no dia em que decidirem finalmente visitarem a terra, é bom que optem por este cantinho à beira mar plantado. É que ninguém recebe as visitas tão bem como nós.

NÃO HÁ PACHORRA

E porque o segundo canal da nossa televisão pública decidiu pela enésima vez preencher o espaço vazio da sua programação, e porque estou em casa a olhar estupefacto para o ecrã, decidi perder a vergonha e publicar um dos inúmeros exemplos de mau stand up made in Portugal.
E nem imaginam o que me custa chamar a isto stand up...
IRRA!


quinta-feira, agosto 07, 2008

BOS(T)A NOVA

A Bossa Nova é como as artes marciais: ambas foram destruídas por aproveitadores reles e demasiado maus para serem sequer suportados.

As artes marciais através de décadas de péssimo cinema, mal feito, ridículo, e que deu ao mundo nomes como Chuck Norris e Van Damme, e isto só para mencionar os maus.

A Bossa Nova porque começou a ser revisitada por gente do calibre de Barry Manilow, Diana Krall, Liza Minelli - e um sem número de outros «supostos» músicos de jazz para bar de hotel -, todos os brasileiros possíveis e imaginários, Rui Veloso e Luís Represas e que transformaram o género musical criado por João Gilberto em algo de verdadeiramente intragável.

A Bossa Nova veio ao mundo pelas e para as vozes do já referido Gilberto, de Vinicius, Tom Jobim, Baden Powell (guitarra), Roberto Menescal, Toquinho, Sérgio Mendes, e para poder ser bem acompanhado pelo génio de verdadeiros músicos jazz como Charlie Byrd, Stan Getz e Dizzy Gillespie.

E lembrei-me disto porquê? Porque mais um dos abutres que ainda conseguem ter a lata de viver à custa de uma herança cultural tão rica, acaba de lançar mais um disco: Mílton Nascimento - que me parece já ter sido bem melhor músico do que de há uns anos para cá - e o trabalho "Novas Bossas" (bastante pouco presunço).
Honestamente, a Bossa Nova não foi criada para uma voz elefantina como a de Nascimento, e a coisa cheira a música-para -os-senhores-da-linha-irem-ver-ao-Casino-e-baterem-palmas sem-fazer-ruído que até enjoa. Como já disse, Mílton Nascimento era dono de uma carreira espectacular, de vanguarda, e que explodiu na década de 60 com uma mistura de pop, música de intervenção e folclore brasileiro. Hoje em dia, e ouvindo os seus últimos lançamentos, parece sofrer do mesmo mal que aflige Rui Veloso, que deixou definitivamente o Rock para abraçar uma bela e promissora carreira de músico sénior.

Conclusão: Bruce Lee e João Gilberto deviam juntar-se e dar uma carga de porrada nesta malta toda que vive à custa de sujar as suas mui belas artes. Só não o fazem porque, como é sabido, o Lee já quinou faz uns anos, e o João não ia longe com o seu violão.







quarta-feira, agosto 06, 2008





Já tinha sido aconselhado a ver "Atonement" por diversas pessoas e por inúmeras vezes já tinha pensado em trazê-lo para casa. Erradamente pensei sempre que não deveria ser assim tão bom quanto isso e que o poderia ver em qualquer outra altura. Erradamente.
Soubesse eu ser o novo filme do mesmo realizador de "Orgulho e Preconceito", Joe Wright, e teria-o visto ainda no cinema.

"Atonement" é um filme verdadeiramente surpreendente. E isto é bem mais do que usar um vulgar lugar comum usado sempre que não temos realmente grande coisa para dizer de um filme. Este é mesmo surpreendente, e porque consegue ser bem mais do que os típicos filmes de época vindos do Reino Unido. Porque é filmado de maneira diferente, porque a narrativa nos é apresentada de um modo completamente invulgar e porque, sem o sabermos, nos passa uma enorme rasteira, logo desde o seu início. Não se pode acusar o filme de ser uma tremenda mentira, porque na realidade a história que nos é contada aconteceu de facto àquelas pessoas, não aconteceu é exactamente como nós vemos...

Resumidamente, posso acrescentar que os actores estão todos de igual forma muito bem - Keira Nightley, James McAvoy (enorme), Saoirse Ronan, Vanessa Redgrave, Romola Garai -, que a fotografia do filme é brilhante, que a banda sonora, matemática, e uma das melhores que ouvi este ano e que funciona quase como uma personagem do filme, e que "Atonement", que provavelmente merecia mesmo alguns dos Oscars para que estava nomeado, contém uma das cenas mais arrebatadoras de que me lembro. Um plano sequência de quase cinco minutos, sem cortes, non stop, na praia de Dunkirk na véspera das tropas inglesas serem levadas de volta a casa, e que é de uma complexidade e de uma coreografia impressionantes. Não supera os travellings megalómanos de "Os Filhos do Homem", mas que mete respeito, lá isso mete.
O único exemplar em boas condições que encontrei desta pequena obra de arte pode ser visto
aqui.

De resto, "Atonement" tem um sem número de imagens belíssimas e sequências assombrosas - como a do pesadelo de Robbie - e merece sinceramente a visita. Não se esqueçam de levar lenços de papel, a coisa às vezes puxa um tudo ou nada para a emoção. Mas justificadamente e sem ser lamechas!











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DESCULPE!?


Ontem participei da manifestação cultural mais triste e deprimentemente ridícula de que tenho memória.Aguçado o apetite por coisas e culturas diferentes, fui ao Palácio de Cristal espreitar um happening que dava pelo nome de “Noites Marroquinas”, ou algo do género. O cartaz prometia gastronomia, artesanato e música marroquina, ou seja, ingredientes que trariam à noite de ontem um bom par de horas bem agradáveis.E passo a descrever o desenrolar dos acontecimentos para que percebam o quanto me senti enganado ontem nas… “Noites Marroquinas”. Cheguei ao parque de estacionamento do Palácio por volta das 21:30 – estranhei estar tão vazio -, subi ao jardim e dei-me rapidamente conta de que a tal manifestação cultural era composta por: uma tenda que vendia roupa, brincos, colares e outras bugigangas exclusivamente femininas e que só poderiam ser consideradas marroquinas pelas mesmas saloias que lêem Nicholas Sparks e se acham muito cultas por isso; uma tenda de comes e bebes que servia falaffel e um preparado de azeitonas acompanhado por duas metades de pão-cacete; uma segunda tenda de comes e bebes que serviam uma espécie de bolacha árabe muita foleira e, como a primeira tenda, chá de menta em copo de plástico; uma última tenda que estava lá somente para nos vender um papel com o nosso nome escrito em árabe…Enquanto isso, numa espécie de anfiteatro três músicos tocavam “Misirlou”, de Dick Dale & The Del Tones – a música do genérico de Pulp Fiction – com instrumentos marroquinos.Contas feitas, a única coisa remotamente marroquina naquela merda toda era o chão em terra batida, o que é manifestamente pouco para nos sentirmos num qualquer país muçulmano.

Seis minutos e 60 cêntimos depois estava no carro a caminho do café “77”, onde comi uma muito portuguesa sopa de couve branca que estava uma delícia. Em casa comi uma sandes de atum com tomate, vi televisão e ainda joguei um bocadinho de Playstation. Deitei-me relativamente cedo e pronto.

segunda-feira, agosto 04, 2008

NUNCA MAIS!!!!!

Não me canso de ver os diversos vídeos que se podem encontrar na net de Wall -E, o protagonista da nova longa metragem da Pixar que estreia na próxima semana. Há quase dois anos que anda meio mundo à espera deste filme, e tudo leva a crer que essa espera não vai ser em vão. Tudo aponta para a perfeição, mesmo as curtíssimas metragens que vêm sendo transmitidas nos commercial brakes americanos. São já bastantes e podem ser vistos com facilidade na net.
Por esta altura pareço os putos que vão de viagem de férias com os pais e que perguntam a cada cinco minutos "já chegamos?".





NÃO ME FAÇAM RIR


Ouço a notícia das centenas de membros do Fatah que fugiram para Israel por causa dos conflitos com o Hamas, e não consigo deixar de me sentir um perfeito idiota por ter andado tantos anos a defender a causa palestiniana. Já não é uma causa social, e os partidos palestinianos já se estão pouco borrifando para os direitos do povo ou para a melhoria das suas condições de vida. Como em todo o lado, o que lhes interessa é decidir quem vai mandar na Palestina, seja ela livre ou não. Neste planeta já de si merdoso, todos querem mandar nem que seja num bairro de lata ilegal e a mim só me dá vontade de que o Hamas e a Fatah façam uma convenção de homens-bomba e de que um deles tropeçe no cordel do companheiro do lado.

sexta-feira, agosto 01, 2008

THE IRON GIANT




Foi realizado em 1999 pelo mesmo responsável por "The Incredibles" e "Ratatouille", Brad Bird, e é um dos melhores filmes de animação que já vi. Animação tradicional, diga-se, embora já misture, aqui e ali, alguns elementos de animação digital.
É brilhante, o argumento é genial, e merecia muito melhor tratamento do que o que teve por parte do público e da crítica.
Ironicamente foi o «bruto» Vin Diesel a dar voz ao gentil gigante, e a coisa correu bastante bem até.
Um destes dias vou revê-lo. Está sempre numa das prateleiras esquecidas da Blockbuster.








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MIRACLE AT ST. ANNA


O próximo filme mais aguardado do ano - a par de "Hellboy - The Golden Army e de "The Road" - é o mais recente trabalho de Spike Lee, "Miracle at St. Anna".
A partir de um romance de James McBride e com um elenco de caras não tão conhecidas do grande público, o filme parece o regresso do realizador às grandes produções, numa altura em que prepara já a sequela de "Inside Man".

A história passa-se durante a segunda guerra mundial em Itális e, como sempre, o trailer promete...



CLOVERFIELD REVISITADO




Estive sinceramente dividido entre ver ou não ver os extras da edição em DVD de um dos mais espectaculares filmes de sempre. E porquê? Porque nunca nenhum outro filme me enganou tanto quanto este. Porque nunca tinha estado uma hora e meia convencido de que estava realmente a ver um documentário sobre o dia em que um monstrengo arrasou Nova Iorque. E porque sabia que ver esses (fantásticos) extras iria diluir esse tão imperdível efeito sobre o espectador de que já (quase) nenhum filme é capaz.

Ao ver o documentário e ao acompanhar todos os milhões de pormenores técnicos que um filme destes exige, fica-se com a certeza de que o que aparenta ser simples e feito assim às três pancadas, é afinal resultado de milhares de horas de trabalho minucioso de uma equipa de centenas de pessoas. É assustadora a margem infinitesimal de erro no processo de construção de um filme como "Cloverfield". Tudo é de tal forma planeado, tudo é tão criteriosamente decidido, que ficamos com dor de cabeça só de pensar no que aquelas cabeças tiveram de pensar para conseguirem um resultado final daqueles.

Engraçado é perceber também o carinho que quase todas as equipas de filmagem, produção, efeitos especiais e até de actores, desenvolveram pelo tal monstro a quem deram o nome de "Clover" - assim em jeito de só para amigos. E curiosa a explicação que o próprio desenhador da criatura dá para o seu estranho aparecimento em Manhatan. Segundo ele, que teve de tentar perceber as suas motivações e emoções para o conseguir criar em lápis e papel, aquele monstro não está zangado nem tem nenhum particular interesse em ver uma cidade arrasada. Aquele monstro não é mais do que uma cria, perdida, assustada e, como tal, completamente desorientada. Giro...

Como giro, e absolutamente surpreendente é percebermos finalmente o que poderá ser a origem do monstro. No cinema, a imagem só passa uma vez, e quem consegue ver vê, quam não consegue... tem de esperar pelo DVD para a poder ver as vezes que forem necessárias. Na última sequência do filme acompanhamos a viagem do casal Beth e Rob a Coney Island, e durante alguns segundos é-nos mostrada a praia. Se tiverem paciência, concentrem-se no lado esquerdo do ecrã e tentem perceber o objecto que se despenha no mar...

Impressionante a qualidade dos efeitos especiais, que nos enganam mesmo quando pensamos não ser necessário. Certas cenas, que acreditamos serem filmadas, por exemplo, na ponte de Brooklyn, não são mais do que um espectáculo CGI, filmadas num cenário cercado por ecrãs verdes. Aliás, "Cloverfield" é provavelmente o melhor exemplo até hoje da utilização desse tal de CGI. Duvido muito que durante o filme alguém consiga de facto perceber quais as imagens concebidas digitalmente e quais as 100% reais. E esse é o ingrediente que torna uma hitória absolutamente inverosímel em algo de tão realistico e quase palpável. Honestamente, não estou a ver nenhum outro filme com uma tão grande qualidade de efeitos especiais e, acima de tudo, com uma tão perfeita e justificada aplicação desses mesmo efeitos no decorrer dos acontecimentos.

"Cloverfield" vai ficar na história do cinema, isso sem dúvida. Não só por ter (re)criado um estilo de cinema e por imediatamente o ter enterrado - nenhum outro filme conseguirá tamanho efeito surpresa -, mas também pelo prodígio tecnológico que representa, mesmo que na maior parte do filme essa qualidade não seja totalmente perceptível.

Está decidido, vou comprá-lo.






Entretanto, existem já inúmeros vídeos na net que mostram os pequenos segredos de que o filme está repleto. Alguns são somente teorias, mas a maior parte resulta mesmo das horas que os fãs passaram a analisar "Cloverfield" para tentarem descobrir de facto aquilo que no cinema nos passou despercebido. É interessante e divertido, e obriga-nos a ir ver o filme com o comando na mão e um dedo constantemente no PAUSE.

Ah, lembram-se de ter referido que ao terminar o genérico final de "Cloverfield" estava talvez o maior segredo do filme? Quando se ouvia uma voz sussurrar algo imperceptível? Pois bem, a primeira coisa que se percebeu é que se assemelhava vagamente a qualquer coisa como "help us". Afinal, e graças aos tais fãs que perderam dias a desenterrar os segredos escondidos, descobriu-se que se ouvirmos o tal som ao contrário, conseguimos perceber nitidamente "it's still alive"...


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KARMABOX WITH A VIEW - DEVENDRA BANHART - "CARMENSITA"

Já há uns mesitos que não publicava vídeos aqui no cantinho.
O regresso é feito pela mão de um dos meus artistas preferidos de todos os tempos e logo com uma desbunda daquelas que só podia mesmo sair do seu cérebro em constante ritmo non stop.
Devendra Banhart, o rapaz que tanto cria melodias melancólicas e tristonhas, como rapidamente inventa uma rambóia insana e extremamente dançável, tem como recente namorada Natalie Portman - só a actriz mais encantadoramente bela do mundo. Dessa união surgem desde logo duas consequências para a carreira do canadiano: faz um vídeo completamente mainstream, e arrisca-se a tornar-se ele próprio um artista das massas. A ver vamos.
Para já temos a certeza do tal vídeo, criado para o single "Carmensita" e que se insere na família de músicas de «rambóia insana e extremamente dançável» de Devendra. A música é fantástica e o vídeo, uma explosão nonsense e hilariante de imagens kitsch; é saturadamente berrante e ao mesmo tempo nostalgicamente enternecedor, como só os filmes de Bollywood conseguem ser.
Maravilhoso!

P.S.: Bárbara, tenta vê-lo antes de ires para as merecidas férias, acho que te vai inspirar...


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